O entorno do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça demonstra otimismo às vésperas do julgamento que pode resultar na abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Pessoas próximas a Mendonça, ouvidas pelos bastidores da Corte, avaliam que há um ambiente favorável para que o pedido seja aprovado. O analista de Política da CNN Matheus Teixeira comenta o tema ao Hora H.
Segundo Matheus Teixeira, que acompanhou as movimentações diretamente do STF, aliados de Mendonça acreditam que ele pode reunir ao menos cinco votos favoráveis à abertura do inquérito. A avaliação leva em conta a possibilidade de que Dias Toffoli se declare impedido de participar do julgamento, o que reduziria o universo de votantes de dez para nove ministros — tornando cinco votos suficientes para uma maioria.
Disputa de narrativas e guerra de ofícios
O cenário se desenha em meio a uma intensa “guerra de ofícios” entre os dois ministros nos últimos dias, com cada lado tentando desgastar o adversário. Mendonça construiu sua narrativa ao afirmar que haveria uma tentativa de “tumultuar o processo” e desviar o foco do que considera o ponto central: a relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na avaliação dos bastidores, Alexandre de Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Do lado de Mendonça, Luiz Fux é visto como voto praticamente certo, enquanto Kássio Nunes Marques é considerado um potencial aliado, embora com menor grau de confiança.
Tanto Fux quanto Nunes Marques já demonstraram alinhamento com Mendonça em julgamentos anteriores na Segunda Turma.
Olhos voltados para Fachin e Cármen Lúcia
Os aliados de Mendonça monitoram com especial atenção os votos de Edson Fachin e Cármen Lúcia. Caso ambos se alinhem ao pedido de investigação, Mendonça chegaria aos cinco votos necessários para vencer o embate.
Com Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, ele partiria com três votos já considerados prováveis.
Há, contudo, incertezas que permanecem em aberto. O rito do julgamento ainda precisa ser definido, e questões como o direito a voto dos próprios ministros envolvidos no embate e a eventual participação de Dias Toffoli ainda dependem de deliberação no plenário.
Além disso, existe a possibilidade de algum ministro pedir vista do processo, argumentando que as milhares de páginas dos autos — cujo sigilo foi recentemente levantado — não foram analisadas em tempo hábil.
Independentemente dos desdobramentos imediatos, caso a abertura de investigação seja aprovada, uma nova discussão se abrirá: se Alexandre de Moraes deverá ou não ser afastado de suas funções.
Os aliados de Mendonça seguem confiantes de que, se Dias Toffoli de fato não participar do julgamento, haverá votos suficientes para impor uma derrota expressiva a Moraes.










