O alpinista nepalês Nirmal Purja teve sua morte confirmada após uma avalanche atingir uma expedição no Himalaia no início desta semana.
Purja “perdeu tragicamente a vida” após o deslizamento, de acordo com uma publicação feita neste sábado pela Fundação Nimsdai, organização que ele fundou em 2022. “Hoje, lamentamos não apenas a perda de Nims, mas de todas as vidas perdidas nesta tragédia, incluindo seus parceiros de escalada e guias de confiança”, dizia a postagem no Instagram.
“O seu legado continuará vivo nas incontáveis vidas que transformou e nas pessoas que inspirou a escalar suas próprias montanhas”, acrescentou a publicação.
O nepalês ficou conhecido ao longo dos anos por escalar algumas das montanhas mais altas do planeta.
Purja, de 43 anos, estava entre os 10 alpinistas desaparecidos desde quinta-feira (30). Acredita-se que o grupo estivesse no Broad Peak, montanha de 8.047 metros localizada no norte do Paquistão, quando uma avalanche ocorreu por volta do meio-dia no horário local.
Pelo menos quatro pessoas tiveram suas mortes confirmadas, incluindo Purja, a alpinista omanense Nadhira Al Harthy, o alpinista nepalês Pur Bahadur Gurung “Yukta” e a alpinista norte-americana Sarah Mallory Geis.
A Fundação Nimsdai informou que “outros membros da expedição infelizmente não sobreviveram”, sem fornecer mais detalhes. Até o momento, não houve confirmação oficial das autoridades.
As operações para localizar os seis alpinistas restantes continuam em andamento. Mais cedo, neste sábado, equipes de emergência disseram à CNN estar preocupadas com a possibilidade de novas avalanches, o que poderia prejudicar os trabalhos de resgate.
Uma montanhista paquistanesa alertou que as chances de sobrevivência dos desaparecidos “são muito pequenas neste momento”. “As montanhas do Paquistão são muito diferentes das do Nepal”, afirmou Naila Kiani, porta-voz do Clube Alpino do Paquistão, à BBC neste sábado.
“Algumas dessas áreas continuam sujeitas a avalanches, então nossa equipe de resgate precisa ser extremamente cuidadosa para avaliar se não está colocando as próprias vidas em risco”, acrescentou.
Purja, ex-soldado do Exército Britânico, elevou o prestígio do montanhismo no cenário mundial ao quebrar repetidamente recordes de resistência. Em 2019, ele fez história ao escalar os 14 picos do mundo com mais de 8.000 metros de altitude — conhecidos pela NASA como os “Oito Mil” — em pouco mais de seis meses.
Kiani, que já escalou com Purja, o descreveu como alguém “destemido” e disse que “ele tornou o impossível possível”.
Em uma entrevista à CNN em 2019, Purja afirmou que queria usar sua visibilidade para homenagear as habilidades do povo sherpa do Nepal. “Embora fossem alpinistas extraordinários, eles não recebiam o devido reconhecimento”, disse Purja. “Eu esperava poder ajudar a valorizar seus nomes.”
Nadhira Al Harthy, a alpinista de Omã que morreu na quinta-feira, também havia concedido entrevistas à CNN anteriormente, nas quais falou sobre seu sonho de escalar um dos picos acima de 8.000 metros. Ela utilizava sua notoriedade para incentivar outras mulheres e meninas muçulmanas, incluindo suas 32 sobrinhas, a praticarem esportes de resistência.
“Nossa fé… ela faz você se levantar novamente. Ela lhe dá força, dá poder”, afirmou Al Harthy em 2021. “(Minhas sobrinhas) são muito fortes e defendem seus direitos”, acrescentou. “Eu sempre acordo de manhã e digo: ‘Alhamdulillah, graças a Deus estou aqui’.”











