Mato Grosso ganhou espaço em uma das principais iniciativas do Governo Federal para ampliar a infraestrutura aeroportuária fora dos grandes centros urbanos. Os aeroportos de Juína, Cáceres e Tangará da Serra serão incluídos no novo leilão do Aeroporto Internacional de Brasília, marcado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o dia 17 de dezembro.
Embora o destaque nacional esteja concentrado no terminal da capital federal, a decisão pode ter impactos relevantes para o interior mato-grossense. Isso porque os três aeroportos passarão a integrar um modelo que busca atrair investimentos privados para regiões que historicamente enfrentam dificuldades para expandir sua malha aérea.
Na prática, os terminais de Mato Grosso serão incorporados ao contrato de concessão de Brasília, um dos aeroportos mais movimentados do país. A estratégia é simples: utilizar a força econômica de um grande aeroporto para viabilizar investimentos em estruturas regionais que, sozinhas, dificilmente despertariam interesse suficiente do mercado.
Modelo aposta em desenvolvimento regional
A iniciativa integra o programa AmpliAR, criado pelo Governo Federal para modernizar aeroportos regionais e ampliar a conectividade em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico.
Além de Juína, Cáceres e Tangará da Serra, o bloco reúne aeroportos em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia. Quem vencer a disputa por Brasília assumirá também a responsabilidade pela operação e pelos investimentos nesses terminais.
Para Mato Grosso, a medida representa uma oportunidade de fortalecer regiões que desempenham papel importante na economia estadual, mas ainda dependem fortemente do transporte rodoviário para deslocamentos de média e longa distância.
Três regiões estratégicas entram no radar
Cada um dos aeroportos incluídos na concessão atende uma área considerada estratégica para o crescimento do Estado.
Cáceres é referência para o Oeste mato-grossense e possui posição geográfica relevante por estar próxima da fronteira com a Bolívia, região que concentra atividades ligadas ao comércio, turismo e agronegócio.
Tangará da Serra se consolidou como um dos principais polos econômicos do Médio-Norte, com forte participação na produção agrícola e crescente demanda por serviços e logística.
Já Juína atende uma vasta área do Noroeste de Mato Grosso, uma das regiões mais distantes dos grandes centros aeroportuários do Estado, tornando a conectividade aérea um fator importante para impulsionar negócios, serviços e mobilidade.
Concessão não garante novos voos imediatamente
A inclusão dos aeroportos no contrato, entretanto, não significa que novas rotas comerciais serão anunciadas automaticamente após o leilão.
A ampliação da oferta de voos dependerá de fatores como demanda regional, interesse das companhias aéreas, viabilidade econômica das operações e melhorias estruturais realizadas nos terminais.
Especialistas do setor observam que a infraestrutura aeroportuária é apenas uma parte da equação. Para que uma cidade conquiste novas ligações aéreas, é necessário haver fluxo consistente de passageiros e condições operacionais compatíveis com os requisitos das empresas do setor.
Ainda assim, a entrada na concessão pode acelerar investimentos que há anos aguardam definição.
Brasília será a locomotiva financeira do projeto
O Aeroporto Internacional de Brasília é o principal ativo da concessão. O terminal passará por uma nova etapa de gestão após um processo de repactuação conduzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A expectativa é que a nova modelagem garanta sustentabilidade financeira ao contrato e permita a realização de investimentos estimados em cerca de R$ 1,2 bilhão ao longo do período restante da concessão.
Entre as melhorias previstas para Brasília estão um novo terminal internacional, edifício-garagem, ampliação dos acessos e modernização dos sistemas de segurança e inspeção de passageiros.
É justamente a capacidade de geração de receita do aeroporto brasiliense que dará suporte aos investimentos nos terminais regionais.
O que está em jogo para Mato Grosso
Mais do que a simples troca de operador, a concessão coloca em discussão o futuro da aviação regional mato-grossense.
O Estado vive um momento de expansão econômica impulsionado pelo agronegócio, pela industrialização e pelo crescimento de polos urbanos no interior. Nesse contexto, a melhoria da conectividade aérea é vista como um elemento importante para atrair investimentos, facilitar viagens corporativas e ampliar a integração regional.
O resultado do leilão definirá qual grupo privado ficará responsável pelos aeroportos de Juína, Cáceres e Tangará da Serra e quais projetos serão executados nos próximos anos.
A expectativa das lideranças regionais é que a nova fase represente mais do que obras de infraestrutura. O objetivo é transformar esses aeroportos em instrumentos de desenvolvimento econômico, reduzindo distâncias e criando condições para que novas rotas e oportunidades cheguem ao interior de Mato Grosso.
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