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Abitrigo: Fechamento do Estreito de Ormuz já impacta trigo brasileiro


iO conflito no Oriente Médio já começa a impactar o setor tritícola brasileiro. Apesar de o Brasil contar com estoques suficientes para aproximadamente três meses de moagem, o fechamento do Estreito de Ormuz está gerando preocupação na cadeia produtiva do trigo por causa dos efeitos nos fretes marítimos, seguros e preços do petróleo.

Daniel Kümmel, presidente do conselho da Abitrigo (Associação Brasileira Indústria Trigo), explicou que, embora o impacto não seja imediato devido aos estoques existentes, já se observa uma pressão nos preços. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz, ele já impacta diretamente aos nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si, que está realmente ocasionando aí, no curto prazo, esse aumento”, afirmou.

Efeitos nos preços internacionais

Segundo Kümmel, apenas no mês de fevereiro, com o anúncio de possíveis ataques ao Irã, os preços do trigo subiram 10% no mercado internacional. Ele ressaltou que não há risco de desabastecimento, uma vez que o mundo está bem estocado de trigo. A preocupação maior está relacionada aos fundamentos de preço, que devem sofrer pressão nos próximos meses.

O Brasil importa anualmente entre 6 e 6,5 milhões de toneladas de trigo, sendo que 4 a 5 milhões vêm da Argentina, que apresenta uma safra recorde histórica de 27 a 28 milhões de toneladas. No entanto, apesar da abundância do cereal argentino, Kümmel explica que o Brasil precisa buscar trigo de outras regiões, como Rússia e Estados Unidos, para atender às exigências de qualidade do mercado brasileiro.

Outro ponto de preocupação mencionado por Kümmel é o impacto na produção nacional de trigo, que começa a ser definida entre abril e maio. Além disso, cerca de 20% da ureia importada pelo Brasil vem do Irã, o que pode afetar a disponibilidade de fertilizantes para a cultura.



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