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Análise: Irã demonstra capacidade de escalar guerra no Oriente Médio


O Irã elevou o tom das ameaças ao Oriente Médio após sofrer recentes ataques. A Guarda da Revolução Islâmica alertou que qualquer ataque contra a infraestrutura energética iraniana terá “resposta esmagadora” e ameaçou incendiar o setor de petróleo e gás de toda a região.

Segundo o analista de internacional Lourival Sant’Anna, durante o CNN Prime Time desta quinta-feira (13), a ameaça iraniana é considerada altamente credível por três fatores principais. Primeiro, por conta de o país possuir capacidade comprovada de fechar o Estreito de Ormuz, controlando seletivamente a passagem de petroleiros.

Além disso, o Irã demonstrou que poderia atacar infraestruturas de refino de petróleo, que somam 2 milhões de barris diários de capacidade. “E tem também todo o aspecto do gás produzido pelo Catar e os Emirados Árabes Unidos que é muito relevante, cerca de 1/5 do gás consumido no mundo”, cita Lourival

O segundo fator, segundo o analista da CNN, é que a pressão iraniana já está surtindo efeito nos mercados internacionais: “Essa pressão é real, a ideia de que uma escalada aumentaria esse impacto, os temores e a pressão, isso também é real”.

Já o terceiro fator diz respeito à duração do conflito. De acordo com Lourival, os relatórios indicam que o mercado conseguiria suportar cerca de duas semanas de instabilidade com medidas compensatórias, como o anúncio de garantias de resseguro para seguradoras de petroleiros e escoltas navais.

Porém, um período mais prolongado poderia levar a um colapso econômico grave, possivelmente resultando em estagflação: “O choque de oferta de petróleo reduz a atividade econômica, por outro lado pressiona os preços e os banco centrais não têm mecanismos para lidar com essa situação”, destaca.

Segundo Lourival, o Irã dispõe de diversos meios para concretizar suas ameaças, incluindo milícias aliadas como os houthis do Iêmen, que ainda não entraram plenamente no conflito atual, mas possuem capacidade comprovada de lançar mísseis e drones.

Outro meio é a disrupção do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, e que pode ser realizada com relativa facilidade utilizando drones contra petroleiros altamente inflamáveis ou através de minas marítimas.

“Um drone que consiga atingir um ponto sensível de um petroleiro, que possa causar petroleiro um afundamento ou uma explosão, isso, um petroleiro apenas, já pode fechar o Estreito de Ormuz”, exemplificou Sant’Anna.

Relatos de militares americanos que serviram no Golfo Pérsico descrevem táticas iranianas que incluem o uso de jet skis para distribuir minas marítimas e enxames de drones capazes de sobrecarregar os sistemas de defesa dos navios.



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