A juíza Caroline Schneider Guanaes Simões, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, unificou as condenações de Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT, apontado como tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, e fixou sua pena total em 51 anos, 11 meses e 21 dias de prisão. Na decisão, proferida na quinta-feira (22), a magistrada manteve o detento isolado no Raio 8 da Penitenciária Central do Estado (PCE) e determinou uma nova avaliação para verificar se ele continua exercendo influência sobre a facção de dentro da cadeia.
Antes da decisão, WT acumulava uma pena de 39 anos, 9 meses e 28 dias. O aumento ocorreu após a inclusão de uma nova condenação definitiva, de 12 anos, 1 mês e 23 dias, aplicada pela 3ª Vara de Nova Mutum.
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Apesar da atualização da pena, a magistrada esclareceu que a nova condenação não altera automaticamente as condições de segurança do preso. WT permanece submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que prevê regras mais rígidas de custódia e isolamento.
A Justiça determinou que a direção da PCE e os setores de inteligência apresentem, no prazo de 10 dias, informações sobre possíveis comunicações ilegais envolvendo o detento. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a entrada e apreensão de celulares e chips no Raio 8, eventuais falhas na segurança e a suspeita de que ordens atribuídas a WT tenham sido transmitidas diretamente da prisão ou por intermediários.
O objetivo é verificar se ainda existem motivos para manter o isolamento, que deve passar por avaliações periódicas a cada seis meses. Após a entrega dos relatórios, o Ministério Público e a defesa terão cinco dias cada para se manifestar, antes de uma nova decisão judicial.
WT foi preso em março de 2024, em Maceió (AL), durante a Operação W.O., da Polícia Civil de Mato Grosso. Apontado como uma das principais lideranças financeiras do Comando Vermelho no estado, ele se tornou alvo de investigações sobre tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Na Operação Apito Final, os investigadores identificaram um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a um time de futebol amador, com movimentações financeiras estimadas em R$ 65,9 milhões. Já em julho deste ano, durante a Operação Replay, WT recebeu um novo mandado de prisão, mesmo estando encarcerado, por suspeita de continuar comandando atividades financeiras da facção de dentro da PCE.
Até a conclusão da nova avaliação determinada pela Justiça, WT continuará isolado no Raio 8 da Penitenciária Central do Estado.










