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Flávio Bolsonaro diz que ‘LCP é terrorista’ e afirma que ela ‘tem dia e hora pra acabar’


“Isso aí tem dia e hora pra acabar, pode ter certeza!”, ameaçou o néscio Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência do velho Estado, depois de ouvir o seu assecla de extrema direita Fernando Máximo defender que a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) seja classificada como “terrorista”. O vídeo, enviado à TV Celular em 23 de setembro, foi divulgado como propaganda eleitoral do PL e da campanha de “Rachadinha”, sob o título “LCP deve ser classificada como terrorista”. O canal foi recentemente lançado pelo clã Bolsonaro.

No vídeo, o obtuso Fernando Máximo acusa a LCP de integrar o “crime organizado com terroristas invadindo terras”, de portar “fuzis de alto calibre 7,62 e 5,56” e de matar “inclusive policiais”. “Tem que ter rigor, tem que tratar como terroristas sim!”, exige, histérico. Tentando formular uma linha de raciocínio, exercício árduo para a sua estirpe, Flávio Bolsonaro questiona: “Uai, se é pobre, como é que compra fuzil?”. Depois, insinua: “Tem alguém financiando, né?”.

Máximo recita a velha cantilena sobre o “produtor” que “trabalhou, comprou a terra, produz alimentos e gera empregos”. O retrato conveniente encobre a grilagem praticada pelos latifundiários de Rondônia e da AMACRO, região farta de ladrões de terras da União. No mesmo fôlego, ataca a parca ampliação de terras indígenas e reservas ambientais como obstáculos à sanha por terras do latifúndio agroexportador. Histriônico, dispara: “E ainda tem Liga dos Camponeses Pobres pra invadir, tem que ser classificada como terrorista também!”

O capitão-do-mato já tinha anunciado a ‘estratégia’

Flávio segue os passos do patriarca Jair Bolsonaro, que, quando gerenciava o velho Estado burocrático-latifundiário, desencadeou uma campanha contra a LCP e usou a etiqueta de “terrorismo” para justificar a repressão à luta pela terra. Em outubro de 2020, publicou imagens de confrontos entre camponeses e policiais em Rondônia e provocou: “Tenho a minha opinião, qual a sua?”.

Em 1º de maio de 2021, na abertura da ExpoZebu, em Uberaba, exibiu a fotografia de uma pichação com a consigna “Viva a Revolução Agrária!” em um latifúndio com a sede destruída. Anunciou que havia se reunido com o governador coronel Marcos Rocha e o ministro da Justiça para traçar uma estratégia destinada a “conter esse terrorismo no estado de Rondônia”. Revelou também o temor de que a luta começasse no campo e alcançasse as cidades. Diante dos grandes proprietários, latifundiários, o capitão-do-mato apresentava suas credenciais de serviçal do latifúndio.

Na resposta de 12 de maio de 2021, a Comissão Nacional das LCPs rebateu a acusação: “terroristas são os latifundiários ladrões de terra”. Denunciou que esses grandes latifundiários empregam bandos de pistoleiros e as próprias forças de repressão do velho Estado para aterrorizar as massas, assassinar camponeses e perpetuar o roubo de terras. Recordou os massacres de Corumbiara, Eldorado dos Carajás e Pau D’Arco como expressões dessa dominação sanguinária.

À frente do governo federal, o capitão-do-mato enviou a Força Nacional para reforçar as tropas estaduais. Os ataques às áreas camponesas se sucederam. A etiqueta de “terrorismo” fornecia a justificativa política para lançar as forças de repressão contra quem conquistava terra para viver e trabalhar.

Revolução Agrária será ‘a maior de nossas vinganças’, afirma LCP ao homenagear heróis da grandiosa resistência camponesa de 2021 em Rondônia – A Nova Democracia

“O sangue dos heróis tombados na luta pela Revolução Agrária será vingado!”: cinco anos após a chacina de Amarildo, Amaral e Kevin, a Liga dos Camponeses Pobres homenageia também Gedeon e Rafael, assassinados nas batalhas pela terra em Rondônia em 2021, quando sucessivos cercos militares culminaram na fracassada Operação “Nova Mutum”.

Mais de R$ 1 milhão por dia, e o despejo foi derrotado

Em outubro de 2021, o capitão-do-mato Jair Bolsonaro desencadeou a Operação “Nova Mutum”, que concentrou mais de 3 mil agentes contra aproximadamente 800 famílias. Polícia Militar, Força Nacional e outras tropas avançaram com helicópteros, drones e viaturas. Segundo as informações divulgadas à época, a operação custava mais de R$ 1 milhão por dia. Para expulsar quem vivia e produzia na terra, o velho Estado abriu os cofres a serviço do latifúndio. Mesmo assim, os camponeses resistiram, derrotaram o cerco policial.

A grandiosa resistência camponesa em Rondônia impediu que o despejo se consolidasse. As famílias bloquearam acessos, mantiveram sua organização e receberam solidariedade dentro e fora do País. Grande parte sequer foi retirada dos lotes; as famílias expulsas permaneceram mobilizadas e exigiram o retorno. Decisões do Supremo suspenderam os despejos, mas as tropas inicialmente se recusaram a recuar. Em 27 de outubro de 2021, os camponeses retirados já estavam novamente na Área Tiago Campin dos Santos. Com toda a superioridade de efetivos e equipamentos, a operação fracassou diante da resistência das massas, que persistem até hoje na Área Tiago Campin dos Santos.

A derrota da operação não apaga os crimes cometidos durante a ofensiva. A LCP denunciou a execução de Amarildo Aparecido Rodrigues, de 49 anos, seu filho Amaral, de 17, e Kevin Fernando Holanda de Souza, de 21, em 13 de agosto de 2021, numa incursão do BOPE e da Força Nacional. Segundo a organização, pai e filho trabalhavam na roça; Kevin conduzia sua motocicleta. Em 29 de outubro, policiais assassinos do BOPE mataram Gedeon José Duque, dirigente da LCP e amado líder das massas, e Rafael Gasparini Tedesco, dedicado militante da LCP. A Liga denunciou que ambos também foram executados.

Cinco anos depois, as famílias seguem vivendo e produzindo nas terras que a “Nova Mutum” tentou lhes arrancar. Na declaração de 19 de agosto de 2026, em homenagem aos cinco lutadores assassinados, a LCP exigiu a punição dos executores e mandantes e reafirmou que a destruição do latifúndio e a conquista da terra serão “a maior, mas não a única, de nossas vinganças”.

Novos mandatos a serviço do latifúndio

Fernando Máximo e outro serviçal do latifúndio, o tiete bolsonarista Bruno Scheid, ambos do PL, foram eleitos senadores por Rondônia em 4 de outubro. No mesmo dia, Marcos Rogério (PL) e seu vice, o delegado Rodrigo Camargo (Podemos), conquistaram o governo estadual. Ambos têm um longo histórico de ataques à organização camponesa da LCP. A promessa de esmagar a luta pela terra chega acompanhada de novos mandatos no Senado e do controle do governo de Rondônia.

Scheid, que ocupará a outra cadeira de Rondônia no Senado, também escolheu os camponeses como alvo. Em vídeo divulgado em 15 de junho de 2026, diante de latifundiários, perguntou como faria para “pisar no pescoço de vagabundo”. A frase veio depois de atribuir à LCP uma ação na fazenda de sua família, em 2018. Em outras gravações, chamou a organização de “facção criminosa” que “porta fuzil em Rondônia” e pregou cadeia para seus integrantes. O lacaio do latifúndio agora terá oito anos de mandato para aprofundar sua condição de sabujo do clã Bolsonaro e tentar converter suas ameaças em medidas contra a luta pela terra.

A campanha de demonização também teve participantes entre os deputados federais e estaduais reeleitos. Fora de Rondônia, Marcos Pollon voltou à Câmara por Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel conservou o governo do estado, Cleitinho foi eleito em Minas Gerais e Luciano Zucco venceu no Rio Grande do Sul. O histórico desses eleitos reúne acusações contra os movimentos de luta pela terra, especialmente a LCP, apoio a despejos policiais violentos e serviços em prol do latifúndio.

‘LCP porta fuzil em Rondônia’: tiete bolsonarista Bruno Scheid reencena ‘pesadelo’ de ‘camponeses armados com fuzis e pistolas’ para atacar a luta pela terra – A Nova Democracia

“Vocês conhecem a LCP tão bem quanto eu”: autoproclamado “05” do clã Bolsonaro, Scheid revive sua suposta “história de superação” de 2018, chama a LCP de “facção criminosa” e prega cadeia para camponeses pobres.

‘Tolerância zero’ contra a LCP

Marcos Rogério leva para o Executivo estadual os serviços ao latifúndio que vinha prestando no Senado. Em 23 de junho de 2021, ao combater a suspensão de despejos durante a pandemia, chamou a LCP de “caos do campo” e declarou: “Isso é ato de terrorismo no campo”. Dois dias antes, apresentara o Projeto de Lei 2.250/2021, para alterar a “Lei Antiterrorismo” e alcançar ocupações de imóveis. Sua justificativa cita nominalmente a LCP. O senador procurava dar forma legal à perseguição que os latifundiários exigiam.

O vice eleito também deixou registrado o tratamento que pretende reservar aos camponeses. Na sessão da Assembleia Legislativa de 14 de março de 2023, Camargo chamou os movimentos de luta pela terra de “terroristas de extrema esquerda” e exigiu “tolerância zero” contra a LCP e o MST. Defendeu unidades policiais para atuar no campo e ofereceu emendas parlamentares a uma associação de “defesa da propriedade” que a Aprosoja, lobby do latifúndio, e a Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia poderiam criar. A finalidade anunciada era assegurar a “guarda patrimonial” dos proprietários. O delegado propunha empregar dinheiro público para custear a guarda dos interesses privados dos latifundiários (!).

Camargo ainda propôs excluir participantes de ocupações dos benefícios estaduais, concursos, cargos comissionados e contratos com o poder público. A iniciativa tornou-se a Lei 5.560/2023, declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Rondônia em 19 de maio de 2025. Mesmo derrubado no tribunal, o projeto de punição coletiva ganhou agora um defensor na vice-governadoria. O serviçal do latifúndio terá uma nova posição para tentar castigar quem luta por terra.

A pose de “guardiões da ordem” convive com relações bem menos apresentáveis. Marcos Rogério aparece em fotografia com o chefe de pistolagem Gesulino Cesar Travagine Castro, condenado a 35 anos de prisão em 2023 como mandante da chacina de seis pessoas em Buritis, em 2012. O deputado estadual Alex Redano, reeleito, também é citado entre os políticos ligados a Gesulino. Os que espumam acusações de “terrorismo” contra a organização camponesa aparecem no círculo de relações de um condenado pela matança. O zelo pela “ordem” revela a classe parasitária a que servem.

‘Nossa guerra é sagrada!’: aos 31 anos de Santa Elina, LCP reafirma que ataques da reação ‘não podem deter a Revolução Agrária!’ – A Nova Democracia

Declaração destaca que “a luta pela terra é uma guerra” e acusa o ex-comandante da PM-RO Régis Braguin de organizar serviços de pistolagem para latifundiários, caracteriza a Operação “Godos” como ação de contrainsurgência e denuncia negociatas com terras públicas no Incra-RO.

LCP responde às hordas bolsonaristas

Na declaração de agosto de 2026, pelos 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Santa Elina, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres denunciou a convergência dos ataques do latifúndio, da extrema direita e do velho Estado contra a Revolução Agrária. Reuniu as campanhas da propaganda bolsonarista, a repressão policial e as negociatas com terras públicas como frentes dessa ofensiva. Ao responder à nova campanha de demonização, afirmou que “seus lacaios fracassam sucessivamente em fazer o ‘serviço’”.

Em junho de 2025, ao comentar o fórum do “Invasão Zero”, a Liga já havia caracterizado a articulação de latifundiários, deputados e policiais como “comprovação cabal e incontestável de que a Revolução Agrária em curso avança”. Recordou que as massas organizadas haviam repelido ataques dos bandos paramilitares e que, diante da resistência, estes recorriam ao socorro das forças policiais. Qualificou-os como “valentes para matar e covardes para morrer”.

A derrota do “Invasão Zero” em Barro Branco, em Jaqueira (PE), mostrou essa resistência na prática. Em 28 de setembro de 2024, os posseiros impediram o avanço do bando que pretendia destruir suas casas e expulsá-los da terra. No comunicado conjunto de 1º de outubro daquele ano, a Comissão Nacional da LCP e a LCP do Nordeste denunciaram o financiamento dos paramilitares por latifundiários, seu apoio político e o suporte das forças policiais. “Esta horda paramilitar bolsonarista está levando sua guerra covarde ao campo, é guerra que eles vão ter!”, afirmaram.

Às promessas de esmagar a luta pela terra, a LCP contrapõe a organização e a resistência das massas que já derrotaram sucessivas ofensivas da reação. O patriarca fracassou em Rondônia; o filho requenta a ameaça enquanto outros serviçais do latifúndio conquistam novos mandatos. A Liga reafirma que a luta camponesa “nunca parou um só instante” e “marcha em frente firme e inquebrantável”, apesar dos ataques da reação, que “não podem deter a Revolução Agrária!”. Ao latifúndio, a Revolução Agrária não oferece trégua: anuncia a sua destruição, parte por parte.

pôster terra para quem nela vive e trabalha por versophilia

pôster impresso em papel couche brilho 250g com arte autoral do versophilia de tema Brasil e luta pela terra



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