Ataques israelenses a uma cidade no sul do Líbano mataram pelo menos 13 pessoas, incluindo seis crianças, na segunda-feira (14), informou o Ministério da Saúde libanês, em um dos dias mais mortais de bombardeios israelenses nas últimas semanas.
Os temores de uma nova campanha militar israelense aumentam no Líbano após dias de escalada dos ataques, apesar do cessar-fogo de junho que tinha como objetivo interromper os confrontos entre o exército israelense e o grupo armado libanês Hezbollah.
Uma mulher que disse ser parente de pelo menos três dos mortos relatou que um dos ataques atingiu um prédio residencial enquanto crianças se preparavam para ir à escola. O exército israelense afirmou ter atingido pessoas que estavam sendo vistas transferindo armas na região da cidade de Kfar Rumman.
No local, repórteres da Reuters viram livros escolares infantis espalhados entre pedaços de concreto onde o prédio ficava. Equipes de resgate com máquinas pesadas trabalharam durante toda a manhã para retirar corpos debaixo dos escombros.
Mustafa Farhat, de oito anos, perdeu os avós e a mãe nos disparos, disseram moradores locais. Equipes de resgate ainda procuravam o corpo do pai na manhã de segunda-feira, enquanto o menino estava hospitalizado recebendo tratamento para seus ferimentos, acrescentaram.
Uma de suas parentes, Mona Farhat, disse à Reuters que foi a casa deles que foi atingida às vésperas do início das aulas.
“Qual é o alvo deles? Qual é o objetivo que eles estão buscando? Eles querem que abandonemos nossas terras? Eles estão enganados”, disse Farhat no hospital.
O Ministério da Saúde do Líbano informou, em uma atualização do balanço publicada em seu site, que 12 pessoas, incluindo seis crianças e três mulheres, morreram no ataque a um prédio residencial. A mídia estatal havia informado anteriormente que o ataque ocorreu após a meia-noite.
Um ataque separado com drone israelense contra um veículo civil na cidade matou um paramédico, informou o Ministério da Saúde. Outros dois paramédicos ficaram feridos no ataque, acrescentou o ministério.
Os ataques a Kfar Rumman ocorreram sem um aviso de retirada emitido pelas forças armadas israelenses.
Israel analisa relatos de civis feridos
As IDF (Forças Armadas de Israel) afirmaram que medidas foram tomadas para mitigar os danos “a indivíduos não envolvidos, incluindo o uso de munições de precisão e vigilância aérea”. Os militares disseram estar analisando o relatório que indicava que “indivíduos não envolvidos” foram feridos em decorrência dos ataques.
Os militares afirmaram que o Hezbollah lançou dois drones explosivos durante a noite contra tropas israelenses que operavam perto da cordilheira de Ali al-Taher, um conjunto estratégico de colinas no sudeste do Líbano, onde se acredita que o grupo libanês tenha construído um complexo militar subterrâneo.
Israel afirmou na semana passada ter expulsado os combatentes do Hezbollah da cordilheira. O grupo não se pronunciou e a Reuters não conseguiu confirmar de forma independente a situação militar em Ali al-Taher.
Nos dias que se seguiram, Israel intensificou os ataques mortais contra cidades ao norte e oeste da cordilheira, para onde os moradores haviam retornado após o cessar-fogo de junho, disseram à Reuters autoridades de segurança libanesas.
As autoridades disseram que previam uma escalada contínua da violência no sul nas próximas semanas.
No domingo (13), pelo menos 11 pessoas foram mortas em ataques israelenses a três cidades próximas à cordilheira, informou o Ministério da Saúde do Líbano em uma atualização do balanço.
Duas das vítimas eram mulheres mortas em ataques à cidade de Arab Salim, onde as forças armadas israelenses haviam emitido um alerta de evacuação online às 6h04, horário local.
O Ministério da Saúde informou que ataques israelenses distintos realizados no domingo destruíram o hospital de Ghandour, na cidade de Nabatieh al-Fawqa.
Outras quatro pessoas morreram na sexta-feira (11), incluindo uma mulher, acrescentou a nota. Esses ataques ocorreram sem aviso prévio de retirada.
Os ataques israelenses ao Líbano mataram mais de 4.300 pessoas desde que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em 2 de março — dois dias após o início dos ataques dos Estados e de Israel ao Irã —, desencadeando uma ofensiva aérea e terrestre israelense.
Entre os mortos, estão mais de 250 crianças, quase 400 mulheres e mais de 130 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do Líbano . O ministério não faz distinção entre civis e militantes, e o Hezbollah não divulgou um número de mortos entre seus combatentes.
O cessar-fogo resultou numa diminuição drástica da violência, mas as tropas israelenses que ocupam vastas áreas do sul do Líbano continuaram a arrasar aldeias na autoproclamada zona de segurança. Os militares israelenses continuaram a realizar ataques tanto dentro da zona como a norte desta, na maioria das vezes sem avisos para a saída de civis.










