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TJMT dá nova destinação a mais de 50 mil processos físicos digitalizados do Fórum de Cuiabá para reciclagem


Mais de 50 mil processos físicos do TJMT receberam nova destinação nesta segunda-feira (14), após anos armazenados no Fórum de Cuiabá. Os autos foram submetidos a uma análise documental antes de serem encaminhados para reciclagem.

O material foi recolhido pela Associação de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis de Mato Grosso (Asmats). A medida une modernização do arquivo, segurança documental e reaproveitamento de materiais.

Processos passam por análise antes do descarte

Entre os documentos estão autos cíveis que foram migrados para o meio eletrônico, já receberam sentença e tiveram o trânsito em julgado. Também foram incluídos documentos cujo prazo de guarda terminou conforme a tabela de temporalidade.

O procedimento segue a Resolução nº 469/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece regras para a digitalização e a gestão de documentos judiciais e administrativos.

A eliminação não ocorre apenas porque um processo foi digitalizado. Primeiro, são produzidos relatórios e informações técnicas. Depois, as relações dos autos passam pela avaliação das unidades judiciais envolvidas e pelos procedimentos previstos para autorizar a destinação.

Na etapa seguinte, foram publicados editais referentes a 11 unidades judiciárias, incluindo Varas de Direito Bancário, Cíveis e de Execuções Fiscais. Os documentos também informam os advogados que atuaram nos casos, permitindo pedidos de retirada de peças originais dentro do prazo estabelecido.

Somente após a publicação dos editais, o cumprimento dos prazos legais e as verificações necessárias é feita a separação dos processos considerados aptos à eliminação pela Central de Arquivo.

Quase 50 mil autos foram eliminados

O trabalho começou no início do ano e envolveu diferentes unidades judiciais. Segundo a gestão administrativa da Comarca de Cuiabá, foram eliminados quase 50 mil processos físicos que já estavam no meio eletrônico, com sentença e trânsito em julgado.

Os documentos eliminados permanecem preservados em formato eletrônico e não integram processos classificados como de guarda permanente. A análise individual também permite identificar casos que, mesmo encerrados, ainda precisam ser mantidos.

Assim, a eliminação de documentos judiciais ocorre somente depois da confirmação de que os requisitos legais e arquivísticos foram atendidos.

Reciclagem gera impacto ambiental e social

As toneladas de papel retiradas do Fórum de Cuiabá foram recolhidas pela Asmats para reciclagem. O destino reduz o volume de resíduos enviados a aterros e permite que o material volte à cadeia produtiva.

A ação também tem efeito social. A associação trabalha com materiais recicláveis e utiliza a atividade para gerar trabalho e renda para famílias de catadores.

A parceria com o Poder Judiciário, mantida há alguns anos, também contribui para fortalecer a atuação da entidade e ampliar a confiança de outras instituições interessadas em destinar materiais de forma adequada.

Segurança acompanha todo o processo

A avaliação documental é conduzida pela Comissão Permanente de Avaliação Documental, com participação da direção do Foro. O processo inclui análise dos requisitos, manifestação das unidades, publicação de editais e respeito aos prazos antes da eliminação.

Esse fluxo garante que a gestão documental do TJMT não trate a reciclagem como um simples descarte de papel. A prioridade é confirmar que cada processo cumpriu seu ciclo de guarda e que não existe obrigação de preservação permanente.

Após essa verificação, a reciclagem permite dar uma finalidade aos documentos que já não precisam permanecer armazenados. A iniciativa também libera espaço físico e reduz a necessidade de manter grandes volumes de arquivos em papel.

Gestão documental com sustentabilidade

A destinação dos processos físicos combina eficiência administrativa, segurança e responsabilidade ambiental. O conteúdo que já foi preservado digitalmente deixa de ocupar áreas de arquivo e o papel é reaproveitado.

Com isso, a iniciativa amplia a modernização da gestão de documentos judiciais e transforma um material que encerrou seu ciclo de guarda em matéria-prima para reciclagem e fonte de renda para trabalhadores do setor.

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