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El Niño coloca 40 municípios de MT sob monitoramento especial da Saúde


Mato Grosso colocou 40 municípios sob acompanhamento estratégico da área de saúde diante do risco de agravamento das condições climáticas provocado pelo El Niño 2026-2027. Calor extremo, estiagem, incêndios florestais e piora da qualidade do ar estão entre as ameaças que levaram o Governo do Estado a criar uma estrutura específica para monitorar os efeitos do clima sobre a população e sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Sala de Situação em Saúde e Clima foi instituída pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) em portaria publicada no Diário Oficial do Estado na quinta-feira (13). A estrutura terá vigência inicialmente até 31 de maio de 2027 e poderá permanecer ativa enquanto persistirem riscos climáticos ou sanitários considerados relevantes.

INFO el niño saúde

O objetivo é fazer com que a resposta da Saúde comece antes de hospitais e unidades receberem os efeitos de uma emergência.

A sala deverá cruzar informações meteorológicas, ambientais e epidemiológicas para identificar antecipadamente regiões e grupos populacionais sob maior risco. Também acompanhará a capacidade dos serviços de saúde, estoques, infraestrutura e condições de funcionamento das unidades.

“A sala constitui mecanismo temporário de governança, inteligência, coordenação e apoio à decisão, destinado a antecipar riscos, reduzir danos à saúde, apoiar os municípios e preservar a continuidade dos serviços essenciais do SUS-MT”, estabelece a portaria.

O planejamento estadual leva em consideração previsão atualizada do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), segundo a qual, desde julho, as condições oceânicas e atmosféricas são compatíveis com a ocorrência do El Niño.

A previsão utilizada pela SES aponta ainda para manutenção dessas condições pelo menos até o trimestre entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, além de elevada probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e outubro.

Em Mato Grosso, a preocupação aumenta porque o El Niño pode se combinar com temperaturas acima da média e déficit de chuva no Centro-Oeste. O resultado pode ser a intensificação de ondas de calor e seca, aumento das queimadas e deterioração da qualidade do ar.

DA FUMAÇA AO HOSPITAL — Os efeitos esperados vão muito além do desconforto provocado pelas altas temperaturas.

A SES trabalha com a possibilidade de aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente durante períodos de concentração de fumaça. Também estão no radar os agravos diretamente relacionados ao calor e à desidratação.

O cenário climático pode ainda alterar o comportamento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, e elevar o risco de doenças relacionadas à água e aos alimentos.

A lista de consequências monitoradas inclui ainda acidentes, insegurança alimentar, sofrimento mental e até interrupções na prestação de serviços essenciais.

É justamente essa combinação de ameaças que diferencia o planejamento. A Saúde não acompanhará apenas quantas pessoas adoecem, mas também se a própria rede continuará funcionando durante uma situação extrema.

A Sala de Situação terá de observar abastecimento de água e energia nas unidades, climatização, oxigênio, medicamentos, cadeia de frio utilizada para conservar vacinas e outros produtos, conectividade e condições de acesso aos serviços.

Uma seca ou incêndio de grandes proporções, por exemplo, pode simultaneamente elevar a procura por atendimento e comprometer a infraestrutura necessária para prestá-lo.

MAIS VULNERÁVEIS — O planejamento estabelece atenção prioritária aos grupos com maior possibilidade de sofrer consequências graves.

Estão nessa condição crianças, idosos, gestantes e puérperas, pessoas com doenças crônicas ou deficiência e trabalhadores expostos diretamente ao calor e à fumaça.

A relação inclui ainda indígenas, quilombolas, populações do campo, da floresta e das águas, pessoas em situação de rua e privadas de liberdade, além de outros grupos em condição de vulnerabilidade.

No caso das temperaturas extremas, crianças e idosos têm maior dificuldade de regulação térmica. Pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias, por sua vez, podem ter seus quadros agravados pelo calor e pela exposição prolongada à fumaça.

CINCO NÍVEIS DE RESPOSTA — A Sala de Situação funcionará com uma escala de cinco estágios, permitindo ampliar a mobilização conforme o risco.

O primeiro corresponde à normalidade. Na sequência estão mobilização, alerta, situação de emergência e, no nível máximo, crise.

Em períodos normais, as reuniões serão mensais. A frequência poderá ser ampliada à medida que indicadores meteorológicos, ambientais ou sanitários apontarem agravamento.

Entre as atribuições estão avaliações periódicas de risco nos níveis estadual, regional e municipal; monitoramento de ameaças, exposição da população, doenças, óbitos e capacidade assistencial; e acompanhamento de infraestrutura e suprimentos.

Também caberá ao grupo elaborar ou revisar planos específicos para seca, estiagem, calor, fumaça, incêndios e chuvas intensas.

A estrutura coordenará ainda fluxos de alerta, notificações, investigações epidemiológicas, regulação de pacientes, apoio laboratorial e assistência farmacêutica.

Cuiabá e outras 39 cidades terão acompanhamento prioritário

Os 40 municípios considerados estratégicos estão espalhados pelas diferentes regiões de Mato Grosso e incluem os cinco mais populosos do Estado: Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Sorriso.

Também aparecem cidades historicamente expostas a queimadas, estiagens, temperaturas elevadas ou dificuldades de acesso e atendimento em situações extremas.

Integram a relação Cáceres, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra, Poconé, Marcelândia, Barra do Garças, Nova Mutum, Vila Bela da Santíssima Trindade, Comodoro, Lucas do Rio Verde, Feliz Natal, Nova Bandeirantes, Confresa, Brasnorte, Juara, Colniza, Guarantã do Norte, Apiacás, Aripuanã, Juína, Campo Novo do Parecis, Alta Floresta, Primavera do Leste, Mirassol d’Oeste, Barão de Melgaço, Cotriguaçu, Porto dos Gaúchos, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Cláudia, Campinápolis, Querência, Água Boa, Nossa Senhora do Livramento e Diamantino.

A inclusão na lista significa que os planos de ação municipais serão acompanhados pela Sala de Situação. Deverão ser definidas prioridades, responsáveis, prazos e eventuais necessidades de apoio estadual.

A estratégia busca evitar que a resposta seja organizada somente depois que determinado município já esteja enfrentando aumento de doenças, fumaça intensa, incêndios ou dificuldades para manter seus serviços.





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