O estado de Mato Grosso conquistou a liderança do Índice de Democracia Ambiental (IDA) de 2026 entre as nove unidades federativas que integram a Amazônia Legal.
No entanto, o topo do ranking traz consigo um alerta crítico: o território apresenta graves lacunas na proteção a defensoras e defensores do meio ambiente.
Os dados constam no diagnóstico publicado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) em parceria com a Transparência Internacional – Brasil.
O panorama geral da região revela um cenário de estagnação institucional: nenhum dos estados avaliados conseguiu atingir a classificação geral “boa”. Apenas a União (Governo Federal) obteve o conceito máximo, atingindo 70,7 pontos no levantamento.
O contraste dos números: Transparência forte, proteção frágil
O IDA analisa o desempenho dos governos em garantir direitos fundamentais divididos em quatro pilares: o direito de acesso à informação da população, a abertura para participação social, o acesso ao Poder Judiciário e a integridade física de quem atua na linha de frente em defesa dos biomas.
A média final de Mato Grosso ficou fixada em 56,7 pontos, o que posiciona o estado na categoria “regular”. O resultado foi impulsionado por um desempenho robusto em duas áreas específicas, mas acabou severamente puxado para baixo pela insegurança que ronda os ativistas locais:
- Acesso à Informação (74,3 pontos): Classificado como “bom”. É o setor mais forte do estado, refletindo a eficiência de portais de transparência.
- Acesso à Justiça (73,6 pontos): Classificado como “bom”. Mostra estruturas e canais disponíveis para a judicialização e resolução de conflitos ecológicos.
- Participação Social (42,6 pontos): Classificado como “regular”. Indica a necessidade de abrir mais espaço para conselhos comunitários e audiências públicas.
- Proteção de Defensores Ambientais (36,4 pontos): Classificado como “insuficiente”. É o principal ponto de fragilidade da gestão estadual, evidenciando a falta de mecanismos eficientes de segurança para lideranças sob ameaça.
O Raio-X da Amazônia Legal
Abaixo de Mato Grosso na tabela de classificação geral, apenas outros três estados conseguiram alcançar a pontuação mínima para figurar no extrato “regular”: o Pará, ocupando a vice-liderança com 55,3 pontos; o Amazonas, em terceiro lugar com 43,8 pontos; e o Maranhão, na quarta posição com 41,9 pontos.
O restante do bloco amazônico apresentou deficiências estruturais severas. Os estados de Tocantins, Rondônia, Amapá, Acre e Roraima amargaram a classificação “ruim”, evidenciando um apagão de ferramentas democráticas voltadas à sustentabilidade e à transparência pública nas suas respectivas administrações.
O mapa para a melhoria: Recomendações dos especialistas
Para corrigir as assimetrias apontadas e fazer com que os estados avancem rumo ao selo de excelência, o comitê técnico do estudo listou um conjunto de metas e recomendações urgentes a serem adotadas pelas gestões públicas:
- Fortalecimento de Redes de Proteção: Reformular e ampliar o orçamento dos programas voltados à proteção de defensores dos direitos humanos e ambientais;
- Transparência Ativa: Ampliar a divulgação proativa de dados e relatórios públicos, diminuindo a burocracia para o cidadão comum;
- Voz Comunitária: Aprimorar e dar poder aos mecanismos de participação popular nas tomadas de decisão;
- Justiça Especializada: Criar e reforçar estruturas especializadas em questões ambientais e agrárias nos órgãos de Justiça e de segurança pública.
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