O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que Mato Grosso vive um ciclo de boa gestão já incorporado pela população e que o Estado “não admite mais retrocesso”. E este deve ser o tom da campanha. A declaração foi feita na noite desta segunda-feira (15), durante a inauguração da nova sede estadual do Republicanos, em Cuiabá, em um discurso com tom de recado político para 2026 e críticas indiretas a governos anteriores. Sem fazer ataques diretos, Pivetta também acionou a memória política recente de Mato Grosso ao citar os governos eleitos em 2010 e 2014 e afirmar que os presentes “sabem o que ocorreu”.
Ao defender que gestões bem avaliadas deixam de pertencer apenas a um governador ou a um grupo político e passam a ser tratadas como patrimônio da população, Pivetta tentou transformar o legado administrativo iniciado em 2019 em argumento contra eventuais adversários na disputa pelo Palácio Paiaguás. “Onde tem boa gestão continuada, isso se torna patrimônio da população. A população se apropria das boas gestões e não admite mais retrocesso”, afirmou.
A declaração resume o eixo político do discurso. Pivetta tenta fixar a ideia de que mudar o rumo adotado desde 2019 significaria colocar em risco conquistas obtidas nos últimos anos, especialmente nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e organização fiscal. A estratégia é clara: transformar a continuidade administrativa em argumento político contra eventuais adversários na disputa pelo Governo do Estado.
Durante o discurso, Pivetta também reforçou a ligação com o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), mas tentou se colocar não apenas como sucessor, e sim como parte da construção do projeto político iniciado em 2018. Ele citou a reforma administrativa feita no início da gestão e afirmou que os dois primeiros anos foram dedicados à organização das contas públicas.
“Mauro Mendes e eu, junto com uma equipe de homens e mulheres extraordinários que nos ajudaram, fizemos a reforma do Estado. Em 2019 e 2020, ficamos arrumando a casa, organizando as contas. A partir de 2021, iniciamos esta revolução em Mato Grosso”, declarou.
A associação com Mauro Mendes aparece como um dos principais trunfos políticos de Pivetta. Ao mesmo tempo em que se ancora no legado do ex-governador, ele procura reforçar que participou diretamente das decisões que marcaram a atual gestão. “Depois da Virgínia, a pessoa que mais andou do teu lado fui eu. Porque desde 2008 a gente vem trabalhando e lutando para melhorar Mato Grosso”, afirmou, dirigindo-se a Mauro.
Em outro momento, o governador fez uma crítica indireta aos governos que antecederam a gestão Mendes. Ao relembrar as eleições de 2010 e 2014, Pivetta evitou citar nomes, mas acionou a memória política recente de Mato Grosso ao dizer que todos sabiam quem havia sido eleito e o que ocorreu depois.
“Em 2010, Mauro Mendes decidiu ser candidato a governador e me convidou para ser vice. Naquele momento, o povo escolheu outro governador. Vocês sabem o nome dele e sabem o que ocorreu. Em 2014, foi eleito outro governador, e vocês também sabem o que aconteceu”, disse.
A fala funcionou como contraste entre passado e presente. Sem mencionar adversários diretamente, Pivetta evocou períodos marcados por crises políticas e administrativas para reforçar a tese de que Mato Grosso encontrou estabilidade a partir de 2019.
“É possível. O Estado de Mato Grosso tem uma potência tremenda para fazer coisas boas. É preciso governante com pulso firme e determinação para fazer o certo, e isso vocês tiveram com Mauro Mendes. Foi isso que nos uniu”, afirmou.
O governador também buscou dar tom pessoal ao discurso. Lembrou que é filho de um ex-prefeito, citou sua trajetória em Lucas do Rio Verde e Nova Mutum e associou sua experiência administrativa à ideia de continuidade de bons projetos.
“Eu vivi isso em Lucas do Rio Verde e em Nova Mutum: 30 anos do mesmo grupo político administrando, fazendo boa gestão e revertendo dinheiro público em capital social, por meio da educação, da infraestrutura e da saúde”, declarou.
Ao defender que Mato Grosso ainda está no início de sua construção como Estado, Pivetta tentou ampliar a mensagem para além da disputa eleitoral e apresentar o projeto político como parte de um processo de desenvolvimento de longo prazo.
“Estamos iniciando uma história de construção de um novo Estado. Estamos no início. Mato Grosso tem 47 anos depois da divisão. É um Estado jovem. Nós estamos preparados, temos experiência e contamos com grupos de homens e mulheres dispostos e com capacidade para ajudar a continuar transformando Mato Grosso”, disse.
No encerramento, o governador procurou afastar a ideia de projeto pessoal e colocou a eventual vitória como resultado de um grupo político.
“Convido todos a trilharem este caminho, que será o caminho da vitória. Não é a minha vitória, é a vitória deste grupo político que tem compromisso de melhorar a vida de todos os mato-grossenses”, completou.
No discurso, Pivetta deixou claro que pretende ocupar o espaço de fiador do atual modelo de gestão, amparado pelo legado de Mauro, mas também buscando acrescentar à narrativa sua própria experiência administrativa e o argumento de que Mato Grosso não deve trocar um rumo que, na avaliação dele, já foi incorporado pela população.











