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Metade dos ratos de laboratório não são quem cientistas pensam, diz estudo


Uma análise genética de centenas de linhagens de camundongos distribuídas para pesquisa ao redor do mundo revelou que quase metade desses animais não corresponde geneticamente ao que os cientistas acreditavam estar utilizando.

O estudo, publicado na revista científica Science, identificou inconsistências entre os nomes atribuídos às linhagens e a composição genética real dos animais. Segundo os pesquisadores, o problema pode comprometer a reprodutibilidade de estudos biomédicos e até levar a interpretações equivocadas sobre o funcionamento de doenças.

“Este estudo é mais um alerta para a pesquisa biomédica. Se não entendermos completamente a genética dos ratos que estamos usando, corremos o risco de interpretar erroneamente como as doenças realmente funcionam”, afirmou Daniel Rawle, pesquisador do instituto australiano QIMR Berghofer.

Rawle já havia enfrentado esse tipo de problema em um estudo publicado em 2022. Na ocasião, ele e colegas encontraram discrepâncias genéticas em camundongos modificados para não produzirem uma proteína do sistema imunológico chamada granzima A.

Leia também: “Fantasma” de ancestral extinto ainda vive em humanos hoje

O erro levou os cientistas, inicialmente, a uma conclusão incorreta sobre uma possível proteção contra um tipo grave de artrite associada ao vírus chikungunya.

Segundo Fernando Pardo-Manuel de Villena, autor principal do novo estudo, esse tipo de falha costuma acontecer durante processos de cruzamento genético usados para transferir alterações específicas entre diferentes linhagens de camundongos.

Para medir a dimensão do problema, a equipe analisou 611 amostras de 341 linhagens mantidas pelos Centros de Pesquisa e Recursos de Camundongos Mutantes, uma rede criada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos para preservar e distribuir animais usados em pesquisas.

O resultado mostrou que 47% das linhagens apresentavam inconsistências em relação à descrição genética original.



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