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Análise: Trump busca decifrar uma China que se vê como potência do futuro


Em encontro com Donald Trump nesta quinta-feira (14) em Pequim, o presidente da China, Xi Jinping, advertiu os Estados Unidos a adotarem “cautela” para não levarem as relações sino-americana a um “lugar perigoso”.

O “lugar perigoso” citado pelo presidente da China é Taiwan: Pequim rejeita qualquer independência da ilha (seja de facto ou de jure) e cada vez mais frisa que não abre mão de reintegrá-la ao território chinês, mesmo que para isso tenha que usar força militar.

WILLIAM WAACK: XI JINPING DEIXA CLARO QUE CHINA NÃO TEME TRUMP; ASSISTA

O Estreito de Taiwan é por onde passa 20% do comércio marítimo global e está na rota para Japão e a Coreia do Sul. A ilha almejada por Pequim também é responsável por fabricar 90% dos chips semicondutores avançados usados em tecnologias como geradores de inteligência artificial generativa e softwares militares.

Pelo lado americano, Trump buscou navegar pelo cessar-fogo vigente na guerra comercial entre os dois países: disse a Xi que quer o mercado chinês mais acessível a produtos agrícolas americanos – especialmente soja e carne bovina – e ao petróleo que flui das reservas de xisto dos Estados Unidos.

Hoje, mais de 70% da soja importada pela China vem do Brasil. Em relação à carne bovina, metade das importações são brasileiras. E 40% do petróleo que chega à economia chinesa vem do Oriente Médio via Estreito de Ormuz — hoje com fluxo travado em um impasse pela guerra entre Irã e os Estados Unidos.

Os sinais da primeira reunião entre Trump e na Xi na viagem de dois dias do presidente americano a Pequim foram tema de análise no WW desta quinta-feira (14).

Veja os destaques do bloco e assista à análise na íntegra:

Marcus Vinícius de Freitas, professor da Universidade de Relações Exteriores da China: A segurança alimentar é um elemento essencial para a garantia da estabilidade da China. E há um histórico: os Estados Unidos já negaram a exportação de grãos para a União Soviética. Então, a alimentação e a mesa chinesa sempre têm que ser farta – e o alimento, barato. Nesse sentido, os chineses buscam diversificar seus parceiros, e o Brasil caiu com uma luva nessa história, pois tem a produtividade agrícola elevada, é um país que está aberto para o investimento e à compra de produtos chineses e não é um concorrente efetivo da China no cenário geopolítico.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional: Os americanos estão sempre esperando uma posição chinesa e transmitem a mensagem a Taiwan de que: “desde que vocês não declarem unilateralmente uma independência, nós vamos” – em tese – “estar aqui”. Mais é claro que essa confiança de Taiwan em relação aos Estados Unidos caiu muito nos últimos anos, e não só por conta do Trump, mas desde a primeira invasão russa, na Crimeia, quando a Ucrânia imaginava que os Estados Unidos também agiriam de uma forma mais incisiva.

Lourival Sant’Anna, analista de Internacional da CNN: O que o Xi está dizendo para Trump, é: “nós somos Atenas e você, Esparta, Então, podemos escolher se você aceita que eu sou uma potência emergente culturalmente superior, e você vai ter que se virar sem 90% dos chips mais sofisticados do mundo, porque eu estou destinado a ter Taiwan – seja pelo bem, seja pelo mal. Se voce quiser brigar, vamos ter uma Guerra do Peloponeso – e eu vou vencer. Eu prefeiriria ir pelo bem – mas se voce quiser brigar, eu estou pronto, também.”

* Publicado por Henrique Sales Barros



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