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Congresso do PT mira plano de reeleição de Lula e consenso interno


O Partido dos Trabalhadores (PT) deu início nesta sexta-feira (24), em Brasília, ao 8º Congresso Nacional da sigla. O evento acontece em um momento estratégico para a definição dos rumos eleitorais e políticos da legenda. O encontro segue até o próximo domingo (26), quando é esperada a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Aos 46 anos, o PT usa o congresso como espaço para alinhar sua estratégia para as eleições e discutir diretrizes para o futuro da legenda. O foco central é a reeleição de Lula e a construção de uma base sólida no Congresso Nacional, considerada essencial pela sigla para enfrentar o que classifica como avanço da ultradireita no país.

Na avaliação interna, o partido sustenta que o presidente ainda conduz um processo de “reconstrução” do Brasil após a gestão passada e busca posicioná-lo como liderança em um cenário internacional em transformação. Nesse contexto, o PT também tenta associar Lula a articulações globais ao lado de nomes como o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com quem esteve na semana passada, por exemplo.

O evento também tem certa dimensão internacional. Representantes de 22 embaixadas confirmaram presença, incluindo de países como China, França, Rússia e Venezuela.

No campo eleitoral, a comunicação aparece como um dos eixos prioritários. Uma das estratégias é vincular o principal concorrente de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), à imagem de radical – portanto, sem diferenças significativas entre ele, seu pai, Jair Bolsonaro, e seus irmãos – enquanto Flávio se apresenta aos eleitores como o “Bolsonaro moderado“.

Outro desafio identificado é a narrativa sobre o combate à corrupção. Ainda impactado pelo legado do escândalo do mensalão no imaginário popular, o PT pretende enfatizar ações do atual governo voltadas contra irregularidades, incluindo casos recentes envolvendo fraudes, como do INSS, do Banco Master e das emendas parlamentares.

Além das táticas eleitorais, o encontro deve avançar na formulação de propostas para um novo programa de governo de Lula. Entre os temas em discussão estão políticas de bem-estar social — impulsionadas por debates como o fim da escala trabalhista 6×1 — e reformas estruturais, como mudanças no Judiciário.

Em manifesto a ser discutido e analisado no congresso, também constam sugestões de reformas administrativa, tecnológica, tributária e política-eleitoral.

“A estratégia do Partido dos Trabalhadores está ancorada na construção de um bloco democrático-popular, capaz de articular forças sociais diversas em torno de um projeto de transformação. Essa construção exige organização permanente, disputa de hegemonia e uma contínua acumulação de forças sociais e políticas nas bases da sociedade.”

“O Partido dos Trabalhadores reafirma seu compromisso com a construção de um novo projeto histórico. Um projeto que supere os limites do capitalismo dependente brasileiro, combine democracia, desenvolvimento e soberania, e devolva à política sua capacidade de transformar a realidade. É nesse terreno que se decidirá o futuro do Brasil e do mundo.”

O documento ainda trata das chamadas terras raras:

“Para o PT, a soberania nacional no século XXI não se resume à defesa de fronteiras, mas ao controle sobre o coração da tecnologia do futuro. […] O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional”, diz trecho.

Nos bastidores, o partido também intensifica articulações para ampliar alianças. A estratégia passa por atrair partidos de centro e centro-direita, como MDB, PSDB, União Brasil e até o PSD — seja para um apoio formal ou para flexibilizar posicionamentos regionais. Um dos principais articuladores desse movimento é o ex-ministro José Dirceu.

Apesar disso, o caminho não é consensual. Correntes mais à esquerda dentro do PT resistem à aproximação com setores do centro, evidenciando um embate entre pragmatismo eleitoral e identidade ideológica. Ainda assim, a tendência majoritária é de avanço de uma estratégia de alianças mais amplas.

A resolução final do congresso está prevista para ser divulgada no domingo.



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