A revista norte-americana Time divulgou nesta quarta-feira (15) a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026. Entre os nomes selecionados está a pesquisadora Mariangela Hungria, referência internacional na área de microbiologia do solo. Além dela, dois outros brasileiros integram a lista.
Mariangela Hungria atua há décadas no desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura. Agrônoma e microbiologista, ela integra a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e é reconhecida por estudos voltados ao uso de microrganismos capazes de substituir, parcial ou totalmente, fertilizantes sintéticos.
Os fertilizantes químicos, amplamente utilizados há mais de um século, desempenham papel central na produtividade agrícola global ao fornecer nutrientes essenciais às plantas. No entanto, o uso excessivo pode causar impactos ambientais, como a contaminação de corpos d’água por escoamento e a emissão de gases de efeito estufa.
Nesse contexto, as pesquisas conduzidas por Hungria contribuíram para o avanço de alternativas baseadas em processos naturais. Seu trabalho se concentra no desenvolvimento de bactérias que permitem às plantas fixar nitrogênio diretamente da atmosfera, reduzindo a necessidade de insumos químicos. No Brasil, essa tecnologia já é aplicada em larga escala: cerca de 85% da produção de soja utiliza esses microrganismos.
Os resultados também têm impacto econômico e ambiental. Estimativas apontam que a adoção dessas soluções possibilita uma economia anual de aproximadamente US$ 25 bilhões aos produtores brasileiros, além de evitar a emissão de cerca de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Reconhecida internacionalmente, Mariangela Hungria foi laureada com o Prêmio Mundial da Alimentação em 2025, uma das principais distinções globais na área de segurança alimentar e agricultura conhecida como “Nobel da Agricultura”. Suas pesquisas vêm sendo adotadas em diferentes países, ampliando o alcance das tecnologias biológicas no campo.
Em recente entrevista à CNN, Mariangela afirmou que a maioria dos agricultores já reconhece os impactos das mudanças climáticas e busca formas de produzir de maneira mais sustentável. “Nós temos capacidade de nos tornar líderes globais em agricultura regenerativa”, aposta.

