A população brasileira não acredita mais no STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto os ministros da Corte permanecem insuspeitos e intocáveis dentro do Judiciário. A afirmação é do jurista e professor Wálter Maierovitch, durante entrevista ao programa WW.
Segundo Maierovitch, o resultado da votação do relatório da CPI do Crime teria sido diferente se o processo tivesse ocorrido no período da manhã, conforme estava previsto inicialmente. “É a primeira vez que vejo ministros do Supremo usando o direito de espernear. Espernearam, quiseram se intrometer, fizeram pressão”, declarou.
O jurista explicou que a CPI iniciou com o objetivo de apurar organizações criminosas violentas, passou para organizações financeiras e, posteriormente, migrou para o que ele chamou de “togas sujas”. “Por que migrou? Porque tinha elementos. Em primeiro lugar, a população não acredita mais no Supremo“, afirmou.
Críticas ao sistema judiciário
Durante a entrevista, Maierovitch criticou a falta de mecanismos para punir ministros do Supremo Tribunal Federal. “Ministros do Supremo são insuspeitos. Pode ter qualquer escândalo, pode acontecer qualquer coisa internamente no poder Judiciário, não há nenhum órgão para punir ministros”, destacou.
O jurista mencionou que a única possibilidade de punição seria por meio do impeachment, em casos de crime ou infração político-administrativa, como violação a deveres funcionais ou violação à Constituição. No entanto, o relatório da CPI acabou sendo arquivado.
Para ilustrar sua crítica ao cenário político brasileiro, Maierovitch fez referência ao escritor Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura, que em suas obras “Conversas no Catedral” e “A Festa do Bode” retrata ditaduras na América Latina. Segundo o jurista, o Brasil estaria vivendo em uma “república de bananas togadas”.

