Um ataque aéreo israelense deixou pelo menos dez mortos e vários feridos do lado de fora de uma escola que abrigava palestinos deslocados na Faixa de Gaza, disseram autoridades de saúde nesta segunda-feira (6).
Esse foi o mais recente episódio de violência apesar do frágil acordo de cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos.
Antes dos ataques, palestinos entraram em confronto com membros de uma milícia apoiada por Israel, que, segundo relatos de médicos e moradores de Gaza, teriam tentado sequestrar pessoas na escola.
Em meio aos confrontos, perto do campo de refugiados de Maghazi, no centro da Faixa de Gaza, drones israelenses dispararam contra a área, matando pelo menos 10 pessoas.
Não estava imediatamente claro quantos civis foram mortos nos ataques, que atingiram um bairro densamente povoado, composto em sua maioria por palestinos deslocados.
Ahmed al-Maghazi, uma testemunha ocular, disse que a área foi atacada por membros da milícia apoiada por Israel, que operam em território adjacente às áreas controladas pelas forças israelenses.
“Os moradores tentaram defender suas casas, mas as forças de ocupação os atacaram diretamente”, disse ele à Reuters.
Mais tarde, na segunda-feira, um líder de uma das milícias apoiadas por Israel afirmou em um vídeo — cuja autenticidade a Reuters não pôde verificar imediatamente — que eles mataram cerca de cinco membros do Hamas.
Não houve comentário imediato do Hamas, que classifica esses grupos que operam em áreas sob controle israelense como “colaboradores de Israel”.
Ainda na segunda-feira, um ataque aéreo israelense matou um palestino e feriu uma criança enquanto eles viajavam de motocicleta na Cidade de Gaza, disseram médicos.
Segundo os médicos, forças israelenses também mataram outro palestino ao abrirem fogo contra um veículo no centro de Gaza, elevando o número de mortos na segunda-feira para pelo menos 12.
O Exército israelense disse que atirou contra um “veículo não identificado”, que continuou acelerando em direção às tropas apesar de “disparos de advertência”.
O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, disse que um prestador de serviço em Gaza foi morto durante um incidente de segurança. A organização suspendeu retiradas de pacientes de Gaza via Rafah para o Egito até novo aviso.
O Hamas e Israel têm trocado acusações sobre violações do cessar-fogo iniciado em outubro.
O Ministério da Saúde de Gaza afirma que disparos israelenses mataram pelo menos 700 pessoas desde o início do cessar-fogo. Israel diz que quatro soldados foram mortos por militantes em Gaza no mesmo período.
O Hamas continua resistindo a entregar suas armas, um grande obstáculo nas negociações para implementar as próximas etapas do plano de paz para Gaza proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
No domingo, o braço armado do Hamas afirmou que discutir o desarmamento do grupo antes de Israel implementar totalmente a primeira fase do plano de Trump é uma tentativa de continuar o que chamou de “genocídio” contra o povo palestino.
Os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra Israel mataram 1.200 pessoas, segundo dados israelenses.
A campanha militar israelense que se seguiu, ao longo de dois anos, matou mais de 72 mil palestinos, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza.
A ofensiva provocou fome, reduziu a maior parte da faixa a escombros e deslocou a maioria da população.

