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Entenda por que reabertura de Ormuz é tão importante para Donald Trump


O professor de Relações Internacionais da UFF, Vitelio Brustolin, destacou durante entrevista ao Agora CNN deste sábado (4), a importância estratégica da reabertura do Estreito de Ormuz para os interesses dos Estados Unidos e, particularmente, para o presidente Donald Trump.

Segundo o especialista, Trump não pode encerrar o atual conflito sem garantir a reabertura do estreito, uma vez que sua primeira viagem internacional neste mandato foi justamente para países da região do Golfo. “Ele foi para a Arábia Saudita, para os Emirados Árabes Unidos, para o Catar, e conseguiu uma garantia de que esses países investirão nos próximos 10 anos mais de 3 trilhões de dólares nos Estados Unidos”, explicou Brustolin.

O professor ressaltou que esses investimentos foram negociados em troca de segurança. “Ter um aliado, que é a maior potência militar do mundo, saindo dessa guerra sem reabrir o Estreito de Hormuz, que é o principal interesse desses países, é inviável”, afirmou.

Brustolin explicou que o estreito é vital para o escoamento da produção de petróleo desses países, embora a Arábia Saudita ainda consiga vender parte de sua produção via Mar Vermelho, que também enfrenta ameaças de fechamento pelos houthis.

Ultimato e ameaças contra o Irã

O especialista mencionou que Trump deu um novo ultimato ao Irã para negociar ou se render e reabrir o Estreito de Hormuz, período que está se esgotando nas próximas 48 horas. Como parte dessa pressão, o especialista apontou que Trump ameaça atacar a infraestrutura civil iraniana, incluindo “a produção de energia elétrica, pontes que já estão sendo alvejadas, inclusive usinas de dessalinização da água, que são usadas para tornar a água potável para a população”.

Além disso, Trump também ameaça atacar a infraestrutura de petróleo e gás do Irã, incluindo a ilha de Kharg, que concentra 90% das exportações do país. “Se isso acontecer, a economia do Irã vai ser lançada para trás por anos e dificilmente o Irã vai conseguir se reerguer economicamente nos próximos anos”, avaliou o professor.

No entanto, Brustolin alertou que mesmo esses ataques podem não ser suficientes para reabrir o estreito, já que o Irã mantém o bloqueio com “armas mais simples, como minas navais e até drones”, em comparação com o arsenal dos Estados Unidos e Israel. Essa situação coloca Trump diante de um desafio complexo para cumprir seus compromissos com os aliados do Golfo.



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