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Artemis II: entenda os riscos da radiação para astronautas


A tempestade solar que afetou a Terra entre sexta-feira (20) e domingo (22) com intensidade considerada forte chamou a atenção de agências espaciais e acendeu um alerta para astronautas em órbita, mais vulneráveis a esse tipo de fenômeno.

Quando estamos na Terra, somos protegidos por um “cobertor” invisível, que é a magnetosfera e a atmosfera, que filtram a maior parte dessa radiação. Até mesmo astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) ainda têm certa proteção por estarem em órbita baixa.

No entanto, ao viajar para o espaço considerado mais profundo, o objetivo das missões Artemis II neste ano, esse escudo desaparece, deixando os astronautas expostos.

Essa radiação ionizante pode atravessar tecidos vivos, depositando energia que causa danos estruturais ao DNA e altera diversos processos celulares.

Cientistas classificam o perigo em três fontes principais:

  • Raios cósmicos galácticos (GCR): essas partículas viajam quase à velocidade da luz, vindas de fora do nosso sistema solar. São as mais difíceis de bloquear;
  • Eventos de partículas solares (SPE): são erupções repentinas do Sol que podem inundar uma nave com radiação em questão de minutos;
  • Cinturões de Van Allen: zonas de radiação intensa que circundam a Terra e precisam ser atravessadas rapidamente.

Corpo humano sob ataque

Segundo a Nasa, a exposição prolongada a essas partículas não causa transformações biológicas reais no corpo dos astronautas. O impacto é comparado a um “envelhecimento acelerado”, que aumenta em até 5% o risco de desenvolvimento de câncer e pode afetar o sistema nervoso central, prejudicando a memória, a coordenação motora e a capacidade de tomar decisões durante a missão.

Ainda segundo a agência espacial, a saúde cardiovascular dos tripulantes também pode ser afetada, uma vez que o coração e as artérias sofrem estresse devido a essa exposição, aumentando o risco de doenças cardíacas e endurecimento de vasos como a aorta.

Outro problema que pode afetar os astronautas é a Síndrome Aguda de Radiação. Em casos de erupções solares extremas sem abrigo adequado, astronautas podem sofrer náuseas, fadiga e falha do sistema imunológico.

“A exposição à radiação espacial também pode aumentar o risco de outras doenças degenerativas que afetam múltiplos tecidos, como o coração, os vasos sanguíneos e os olhos. Além disso, a exposição à radiação espacial pode afetar o sistema nervoso central, causando comprometimento cognitivo ou de desempenho durante as missões, e pode aumentar o risco de os astronautas desenvolverem doenças degenerativas posteriormente”, diz a Nasa, em seu site.

Para se ter uma ideia do quanto essa radiação afeta os astronautas, a NASA unificou recentemente os limites de radiação para astronautas em 600 mSv (milisieverts) para toda a carreira, independentemente de idade ou sexo, permitindo que mais mulheres participem de missões de longa duração. Para comparação, uma pessoa na Terra recebe cerca de 3 mSv por ano.

A engenharia espacial está buscando alternativas para diminuir os riscos. A nave Orion, que levará humanos à Lua, por exemplo, possui áreas com blindagem reforçada que servem como “quartos de pânico” durante tempestades solares.

Além disso, a Nasa está voltada ao avanço da “medicina personalizada” buscando desenvolver estratégias que protejam a saúde dos astronautas e garantam voos espaciais tripulados seguros. Através do projeto AVATAR, eles estão usando “chips com tecidos humanos” para prever como o corpo de cada astronauta específico reagirá ao bombardeio radioativo antes mesmo de ele deixar a plataforma de lançamento.



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