Cerca de 40% dos eleitores brasileiros definem seu voto para a Presidência da República a um mês das eleições, segundo dados revelados pela última rodada da pesquisa Genial/Quaest. Os números foram analisados pelo sociólogo e cientista político Antônio Lavareda durante o CNN 360º desta sexta-feira (28).
De acordo com os dados apresentados, 58% dos eleitores afirmam decidir o voto vários meses antes da eleição. No entanto, 20% tomam a decisão cerca de um mês antes, 10% na semana que antecede o pleito ou na véspera, e outros 10% apenas no próprio dia da votação.
Nos cargos de governador e senador, os índices de decisão antecipada são ainda menores, com maior concentração de escolhas de última hora.
Lavareda ressaltou que a compreensão desse cronograma de decisão é fundamental para as campanhas.
“As campanhas usam um blend de emoções, usam o entusiasmo, o orgulho, a tristeza, o medo, a raiva. Como orquestrar tudo isso, selecionar de cada um desses elementos é fundamental, além do timing para a emissão dessas mensagens”, afirmou.
Ele lembrou que o eleitor será alcançado pelas campanhas até as últimas horas antes do fim do processo eleitoral, submetido à influência das campanhas, mas também ao noticiário e às redes sociais.
“O Brasil tem uma campanha muito curta, de 35 dias apenas de televisão e rádio, mesmo padrão que você encontra na Argentina, Chile e na França. Mas eles têm primárias, que deixam a campanha mais longa. A nossa campanha eleitoral é muito intensa, muito concentrada”, observou Lavareda.
O sociólogo lembrou que 86% dos domicílios brasileiros possuem TV aberta e que 65% dos eleitores acompanharão a campanha por esse meio, número que chega a 70% no Nordeste e a 72% entre eleitores com renda de zero a dois salários mínimos.
O especialista alertou ainda que declarações de eleitores em pesquisas sobre já terem decidido o voto não devem ser interpretadas de forma literal: “Não levem isso ao pé da letra. Decisão mesmo só se concretiza muito perto do dia da eleição”, alertou.
Cenário presidencial
O agregador de pesquisas Índice CNN, desenvolvido em parceria com o IPESP Analítica, mostrou estabilidade nos números da disputa presidencial.
No início da propaganda eleitoral, Lula (PT) mantém a liderança, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) se consolida como principal nome da oposição.
No grupo seguinte, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) apresentaram pequenas oscilações após os primeiros debates, sabatinas e inserções na TV.
“Nós temos agora o grid de largada. Agora serão 35 dias intensos de campanha em TV e rádio, e nós veremos as capacidades das campanhas e de suas respectivas narrativas de alterar essa correlação de forças”, definiu Lavareda.
Em relação à aprovação do governo Lula, o saldo entre aprovação e desaprovação voltou a ser negativo, registrando menos dois pontos percentuais, o pior resultado desde junho.
Lavareda apontou que o último saldo positivo foi registrado em outubro de 2024, e que, ao longo de todo o ano de 2025, o governo enfrentou dificuldades para fazer a curva de aprovação superar a de desaprovação.
“Os adversários já estão no mercado eleitoral há muito tempo com as suas narrativas e críticas, e tudo isso tem conduzido à dificuldade do governo em fazer a curva positiva superar a curva negativa”, explicou o analista.










