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40% do mercado disputado entre portos é ignorado, diz NeoWise ao CNN Talks


O leilão do Tecon Santos 10 trouxe à tona debates sobre a possível concentração do mercado de movimentação de contêineres no Porto de Santos. Luis Claudio Montenegro, sócio-diretor da NeoWise, participou de entrevista durante o CNN Talks: Quando as Regras Mudam e avaliou os riscos apontados, defendendo que a preocupação com concentração ignora a concorrência real entre portos brasileiros.

A questão da área de influência dos portos

Montenegro explicou que o porto possui uma área de influência que determina sua competitividade para atrair ou destinar cargas. Segundo ele, essas áreas frequentemente se sobrepõem entre portos vizinhos.

“O Porto de Santos abrange uma área de influência muito grande pelo tamanho e pelas conexões que ele tem, mas ele movimenta somente 60% da carga dessa área de influência”, afirmou.

Para Montenegro, ao desconsiderar que o Porto de Santos concorre com portos no Paraná, em Santa Catarina, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, ignora-se 40% do mercado que esses terminais detêm na mesma área de influência.

“Essa questão de números de concentração que desconsidera a concorrência entre portos é uma questão muito frágil para ser discutida nesse aspecto”, destacou.

Exemplo argentino como alerta

O especialista recorreu à experiência argentina de reforma portuária para ilustrar os riscos de adotar políticas excessivamente restritivas. Montenegro relatou que, em 1994, a Argentina estabeleceu a regra de que quem tivesse um terminal não poderia ter um segundo, com o objetivo de estimular a concorrência.

No entanto, em 2000, o país concluiu que a decisão havia sido equivocada, pois os terminais ficaram pequenos e os portos perderam competitividade.

“Em 2016, a Argentina chegou à decisão de querer um único terminal que seja competitivo e está tendo grandes dificuldades de fazer essa reforma”, disse Montenegro, alertando que o Brasil corre o risco de repetir o mesmo caminho.

Para ele, a verdadeira prioridade deve ser o investimento e a ampliação da capacidade portuária. “É preciso investimento, é preciso ampliar capacidade, reduzir preço, diminuir fila”, concluiu.

O CNN Talks: Quando as Regras Mudam reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes da infraestrutura para debater os efeitos que decisões tomadas para responder às urgências do presente podem produzir sobre investimentos planejados para décadas.



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