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STF aposta em Marielle e penduricalhos para conter crise do caso Master


A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal inicia, nesta terça-feira (24), o julgamento dos cinco acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, crime ocorrido há oito anos. Segundo apuração do analista de Política da CNN Matheus Teixeira, o julgamento acontece em um momento estratégico para a Corte que busca recuperar sua imagem pública após a grave crise institucional relacionada ao caso Banco Master.

A crise teve início quando veio à tona que a esposa do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato de R$ 129 milhões com Daniel Volcaro, dono do Banco Master. Posteriormente, surgiram informações sobre relações da família de Dias Toffoli com a mesma instituição financeira.

Apesar da tentativa de contenção com o afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master, novos episódios agravaram a situação, como a possível gravação clandestina de uma reunião interna e a ofensiva de Moraes contra servidores da Receita Federal que teriam acessado dados de ministros e seus familiares.

Caso Marielle chega ao STF após investigação conturbada

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes chegou ao STF devido ao envolvimento de Chiquinho Brazão, deputado federal com foro privilegiado e irmão de um conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Após uma investigação marcada por suspeitas de obstrução, o caso agora será julgado pela Primeira Turma do Supremo, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

Matheus Teixeira destaca que o deputado “foi preso preventivamente e agora já está solto, mas vai passar por um julgamento definitivo em que ele pode ser condenado por ter assassinado a ex-vereadora do Rio de Janeiro”.

Julgamento dos penduricalhos pode moralizar remuneração do Judiciário

Além do caso Marielle, o plenário do STF também deve julgar nesta semana a decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu o pagamento dos penduricalhos, verbas indenizatórias que fazem extrapolar o teto constitucional para juízes, promotores e procuradores em todo o país.

Segundo o analista de Política da CNN, esta é outra pauta potencialmente positiva para a imagem da corte: “Muitos deles usam e abusam e chegam a receber salários que superam R$ 400 mil. E isso costuma também trazer um desgaste para a imagem do Poder Judiciário muito grande”, diz Teixeira.

O analista ressalta que a uniformização do pagamento desses benefícios pode ajudar a moralizar a remuneração dos juízes brasileiros, problema que persiste há anos no Sistema Judiciário nacional e frequentemente gera críticas da opinião pública.



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