Vivemos uma era de movimentos tectônicos na sociedade global e em todos os países em particular. É um momento de insegurança, incerteza e medo. Cria-se um ecossistema propenso à polarização e a reações extremadas, de negação, de rejeição do outro, de intolerância. O medo foi, é, e será o pior dos conselheiros. Os Estados Unidos parecem estar entrando em um novo normal de intolerância étnica e arbítrio que beira a aberração. O Reino Unido marcha para uma suicida saída da União Europeia, cujo pior cenário representaria um cataclismo econômico global. A Alemanha, passo a passo, move-se para uma atitude de repulsa aos imigrantes. É difusa a fronteira entre a ojeriza ao estrangeiro entrante e o racismo. A maioria dos que chegam é de não-arianos. Na Escandinávia, onde vicejaram as mais avançadas social-democracias, embora jamais tenham realizado o sonho republicano, também aumenta a intolerância com os imigrantes. No Brasil, a perda de qualidade da governança vem acelerando ano a ano. Vamos nos adaptando a padrões cada vez mais baixos de exigência na educação, na saúde, no comportamento das autoridades e do setor público, na representatividade do Congresso e dos partidos. Quando será tarde para soar o alarme?
