Projetos de crédito de carbono aliados à conservação ambiental se transformam em ativos financeiros na Amazônia, o que estimula comunidades locais a se inserirem dentro da bioeconomia, além de se tornar iniciativa atrativa para investidores que estão de olho em como compensar emissões. Este mercado está em fase de amadurecimento, mas já monetiza a redução de emissões de gases de efeito estufa e gera renda para populações extrativistas.
É o que avalia Pedro Plastino, fundador e diretor da empresa Joias Ecológicas da Amazônia. Ele e seus sócios investem no negócio de olho no retorno financeiro que virá no futuro, desenvolvendo projetos de crédito de carbono com foco comunitário. Segundo Plastino, 70% de toda a receita gerada é direcionada para comunidades extrativistas que vivem em reservas federais, conhecidas como Resex.
“São comunidades que vivem da pesca de pirarucu, de peixe, extração de açaí, de palmito, de cacau, de óleo de cupuaçu. E agora o carbono está entrando como uma nova vertente, como uma nova commodity global”, explica.
Como funciona o mercado de carbono
O processo envolve a medição de quanto desmatamento seria evitado em determinada área caso nenhuma ação fosse tomada. A partir dessa métrica, são calculados os créditos de carbono proporcionais à redução obtida. “Você está fazendo um bem para o meio ambiente, protegendo a floresta. Essa floresta está evitando jogar gases de efeito estufa na atmosfera”, detalha Plastino.
Esses créditos são então vendidos para empresas que precisam neutralizar suas emissões, como companhias aéreas, Volkswagen, Vale, Petrobras, Gol e até mesmo o Fundo Soberano da Arábia Saudita, destaca o fundador.
Um dos principais desafios do setor, acrescenta, é o período de quatro anos necessário para a primeira geração de receita, o que exige um investimento inicial significativo. “A gente fala muito sobre uma barriga de caixa de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões”, afirma o diretor. Para superar esse obstáculo, a empresa utiliza três estratégias: captação de capital (equity), estruturas de dívida com bancos de fomento como Banco da Amazônia, Banco do Brasil e BNDES, além de vendas antecipadas de créditos de carbono.
Impacto nas comunidades locais
Além do mercado de carbono, a empresa trabalha com cadeias de bioeconomia que geram impacto direto nas comunidades. Um exemplo é o caso do pirarucu, que chega a custar R$ 100 a R$ 120 por quilo nos supermercados dos grandes centros urbanos, enquanto as comunidades locais era vendido por R$ 4 a R$ 6 o quilo. “A gente ajuda eles a fazer não só o frigorífico, mas o transporte para levar um valor agregado maior”, explica Plastino. Como resultado, em algumas áreas, a receita das comunidades triplicou.
A operação na Amazônia apresenta desafios logísticos significativos. “A gente não está operando na Avenida Paulista, ou na Faria Lima. A gente está falando de Amazônia. De uma ponta a outra de uma área são 12 horas de barco”, relata.
Apesar das dificuldades, a empresa já administra 650 mil hectares e pretende expandir para 2 milhões de hectares até o final do ano, uma área equivalente a quase 10 cidades de São Paulo. Com o crescente interesse de investidores internacionais, o mercado de crédito de carbono promete ser uma importante força econômica para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

