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No Barra Nova estudante enfrenta 7 horas de viagem diária para conseguir estudar – SIDROLÂNDIA- MS


Durante a espera, apenas os alunos que levaram marmita conseguiram se alimentar; os demais recorreram a bolachas e ao tereré para amenizar a fome. Foto: Divulgação

Aos 14 anos, a rotina de Kamilly Medeiros Gonçalves está longe de ser simples. Aluna do 1º ano do Ensino Médio na extensão da Escola Paulo Firmo, ela enfrenta diariamente um percurso exaustivo entre o Assentamento Barra Nova 2 e a escola, localizada no Assentamento São Pedro uma distância de 103 quilômetros que consome cerca de sete horas de viagem, somando ida e volta.

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O dia começa cedo. Por volta das 5h30, Kamilly já está de pé para ajudar nas tarefas domésticas. Mais tarde, às 8h20, começa a se preparar para a escola. O ônibus escolar, velho e em condições precárias com pneu furado e o assoalho coberto pela poeira avermelhada chega apenas às 9h30.

Na semana passada, a vereadora Edilaine Tavares acompanhou de perto o trajeto dos estudantes e presenciou as dificuldades enfrentadas ao longo do percurso. Logo no início da viagem, o ônibus apresentou problemas mecânicos após um pneu furar, obrigando uma parada em uma borracharia. Durante a espera, apenas os alunos que levaram marmita conseguiram se alimentar; os demais recorreram a bolachas e ao tereré para amenizar a fome.

No Barra Nova estudante enfrenta 7 horas de viagem diária para conseguir estudar
Ao todo, 54 estudantes de diferentes assentamentos. Foto: Divulgação

Ao todo, 54 estudantes de diferentes assentamentos Barra Nova 1 e 2, Estrela, Nova Mutum e Capão Bonito 1, 2 e 3 enfrentam a mesma realidade diariamente.

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Depois de horas na estrada, o ônibus só chega à escola por volta das 13h. Sem tempo para descanso ou alimentação adequada, os alunos seguem direto para a sala de aula. Para muitos, a primeira refeição do dia só acontece às 15h20, quando é servida a merenda escolar, geralmente arroz com frango.

A estrutura da escola também apresenta problemas. O banheiro destinado aos alunos está interditado, obrigando todos a enfrentarem filas para utilizar o sanitário dos funcionários. As aulas seguem até 17h20, quando os estudantes embarcam novamente para o longo retorno.

Kamilly só chega em casa por volta das 21h20, encerrando uma rotina diária marcada pelo cansaço e pelas dificuldades.”

Esse cenário tem reflexos diretos na permanência dos estudantes na escola. A dificuldade de acesso na zona rural tem contribuído para a redução no número de matrículas no Ensino Médio. Em 2018, eram 667 alunos matriculados. Em 2024, esse número caiu para 526 e, no ano passado, despencou para 383 estudantes uma queda expressiva que evidencia o impacto das condições de transporte e estrutura sobre a continuidade dos estudos.

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Diante da situação, a vereadora Edilaine Tavares afirma que irá intensificar a cobrança junto ao poder público municipal e estadual por melhorias urgentes no transporte escolar e na estrutura oferecida aos alunos da zona rural. Segundo ela, é necessário garantir não apenas o acesso, mas a permanência digna dos estudantes na escola, evitando que a evasão continue avançando.

A cobrança se soma a um histórico recente de reclamações. No último dia 2 de março, pais de alunos estiveram na Câmara Municipal, onde denunciaram os problemas no transporte escolar e sabatinaram o superintendente do setor, Di Cezar, cobrando respostas e soluções para as falhas que afetam diariamente dezenas de estudantes da zona rural.





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