A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país subiu para 4,71% em 2026, segundo dados divulgados no Boletim Focus desta segunda-feira (13). O levantamento reúne projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
O índice utilizado como referência é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A nova estimativa representa a quinta alta consecutiva e ultrapassa o limite superior da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
O avanço da inflação ocorre em meio às incertezas provocadas pelas tensões no Oriente Médio. Em março, o índice registrou alta de 0,88%, puxado principalmente pelos setores de transportes e alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,14%.
As projeções futuras também foram revisadas. Para 2027, a estimativa passou de 3,85% para 3,91%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta inflação de 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Taxa de juros
Para conter a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária optou por reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual.
A trajetória futura da Selic ainda é incerta, diante do cenário internacional. Antes do agravamento do conflito externo, havia expectativa de cortes mais intensos. Agora, o Banco Central não descarta rever o ritmo de redução dos juros.
Segundo o Boletim Focus, a taxa deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano. Para os anos seguintes, a projeção indica queda gradual, chegando a 9,75% em 2029.
Juros elevados tendem a reduzir o consumo e controlar a inflação, ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Por outro lado, taxas mais baixas favorecem o crescimento econômico, ao incentivar investimentos e consumo.
PIB e câmbio
A previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,85%. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 o crescimento esperado é de 2% ao ano.
Em relação ao câmbio, a projeção do dólar para o fim de 2026 é de R$ 5,37. Para 2027, a expectativa é de leve alta, com a moeda norte-americana cotada a R$ 5,40.
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