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IA criada por cientista da USP acerta mais de 90% em diagnóstico mental




Pesquisa mostra que a IA pode detectar transtornos mentais com mais de 90% de precisão
Um professor da USP acaba de ser premiado na Alemanha. Francisco Rodrigues foi um dos 20 cientistas reconhecidos por uma das principais fundações de pesquisa do mundo, a Fundação Alexander von Humboldt.
O brasileiro liderou estudos que mostraram que métodos baseados em Inteligência Artificial (IA) podem diagnosticar transtornos mentais.
Ou seja, no futuro, a IA poderia ajudar a ler o que acontece na sua mente antes mesmo de você sentir qualquer sintoma.
Nos testes, a equipe usou imagens de ressonância magnética para treinar um algoritmo. O resultado? A máquina conseguiu identificar a condição mental dos pacientes com mais de 90% de acerto. Eles conseguiram “sacar” quais regiões do cérebro mudam em quem tem autismo, esquizofrenia ou epilepsia, por exemplo.
Hoje, o diagnóstico depende de conversas e avaliações clínicas. A ideia é que a IA ajude médicos a diferenciarem transtornos com sintomas parecidos ou até a prever doenças, algo impossível hoje.
“A gente sabe que ocorrem modificações antes de você ter os sintomas. Então, com esses métodos, você consegue identificar qual é o nível que a pessoa está, mesmo que ela não tenha ainda perdido a memória. Mas aí você consegue [dizer] ‘oh, estão ocorrendo essas mudanças’ e, provavelmente, daqui a dez anos, você vai ter Alzheimer”, explica Rodrigues.
Mas o processo todo não é nada simples. Para a máquina aprender, ela precisa de muitos dados.
E coletar esses dados é um desafio para a pesquisa, uma vez que os eletroencefalogramas podem ser imprecisos, e as ressonâncias são difíceis de produzir. Por isso, a pesquisa agora pretende usar uma técnica disponível na Alemanha.
São os chamados “minicérebros”, células extraídas do cérebro de embriões de animais que crescem em placas.
“Você pode tentar reproduzir essas condições no laboratório. E, se eu conseguir reproduzir os neurônios de pessoas que têm esquizofrenia no laboratório, e consigo crescer esses neurônios, eu posso fazer minicérebros, e eu posso verificar como faço para atuar para que eu consiga modificar a dinâmica dele. E aí você verifica quais condições, quais drogas podem diminuir essa dessincronização dos neurônios”, destaca o professor.
O prêmio que ele recebeu reconhece pesquisadores internacionais de excelência e inclui um valor de 60 mil euros, que vai permitir que o brasileiro prossiga com sua pesquisa na Alemanha durante um ano.
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