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Glaucoma pode evoluir sem sintomas e comprometer a visão permanentemente


O glaucoma é uma doença ocular crônica que pode causar perda permanente da visão. Estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo convivam com essa condição, considerada uma das principais causas de cegueira irreversível.

O problema ocorre quando há dano progressivo no nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro. Quando esse nervo é afetado, a visão pode ser comprometida de forma gradual e definitiva.

Por que o glaucoma é chamado de “ladrão silencioso”

Um dos motivos pelos quais o glaucoma preocupa tanto os especialistas é o fato de ele ser frequentemente chamado de “ladrão silencioso da visão”. Isso acontece porque, na forma mais comum da doença, a evolução costuma ser lenta e praticamente sem sintomas nas fases iniciais.

Neste Dia Mundial do Glaucoma (12), é importante ressaltar que a perda visual geralmente começa pela visão periférica — ou seja, pelas laterais do campo visual – e pode passar despercebida por muito tempo. Em muitos casos, quando o paciente percebe alguma alteração, o glaucoma já pode estar em estágio avançado.

Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver glaucoma. O principal fator de risco é a pressão intraocular elevada, que pode levar ao dano progressivo do nervo óptico.

Além disso, outros fatores também aumentam a probabilidade de desenvolver a doença, como idade acima de 40 anos e histórico familiar, especialmente quando há casos em pais, irmãos ou avós. Outras condições associadas incluem miopia ou hipermetropia acentuadas, uso prolongado de corticosteroides e algumas doenças sistêmicas que podem afetar a circulação ocular, como o diabetes.

Diagnóstico e tratamento: como preservar a visão

Apesar de ser uma doença potencialmente grave, o glaucoma pode ser controlado quando diagnosticado precocemente. O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completa, que pode incluir a medição da pressão intraocular, a análise do nervo óptico e exames complementares capazes de avaliar o campo visual e a estrutura das fibras nervosas da retina.

O tratamento tem como objetivo evitar a progressão da doença e preservar a visão existente. Na maioria dos casos, ele começa com o uso de colírios que ajudam a reduzir a pressão intraocular. Dependendo da situação clínica e da evolução, também podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias oftalmológicas. Embora o glaucoma não tenha cura, o acompanhamento regular e o tratamento adequado permitem controlar a doença e manter a qualidade visual ao longo da vida.

Por isso, especialistas reforçam a importância dos exames oftalmológicos periódicos, especialmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco. Como o glaucoma pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais, a avaliação preventiva é fundamental para identificar a doença antes que ocorram danos irreversíveis à visão.

Cuidar da saúde ocular e manter acompanhamento regular com um oftalmologista são medidas essenciais para a detecção precoce e o controle adequado do glaucoma.

Fontes: Academia Americana de Oftalmologia (AAO), Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).

*Texto escrito por Marcelo Macedo, médico especialista em glaucoma na Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha – Grupo Fleury, membro da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), assistente do setor de glaucoma da Universidade de São Paulo (FMUSP) e doutor pela Universidade de São Paulo



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