Geiseane Lemes
Da Redação
A chefe de gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, delegada Marielli Antonini, conversou com o site Única News e explicou a importância da família ser o primeiro ponto de apoio da vítima.
“Se perceberem mudanças de comportamento, isolamento ou alterações nas atitudes e roupas da mulher, é fundamental conversar, acompanhar e orientar para que ela busque ajuda. A violência doméstica é progressiva e cíclica, podendo evoluir até um feminicídio”, alertou.
Dados do relatório da Polícia Civil e da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) mostram que os crimes de feminicídio em Mato Grosso ocorreram em 36 municípios, com todos os autores identificados e responsabilizados. A maioria dos casos (72%) aconteceu na residência das vítimas, utilizando arma branca (43%) ou de fogo (38%).
O estudo evidencia que 83% dos feminicídios decorreram de violência doméstica e familiar, geralmente motivados por ciúme ou tentativa de controle sobre a mulher. Parceiros atuais ou ex-companheiros são os principais autores, representando 79% dos casos.
“Mais do que apresentar estatísticas, reafirmamos nossa responsabilidade institucional e social de proteger a vida e garantir os direitos das mulheres mato-grossenses”, afirma a delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel.
Segundo a delegada, o acompanhamento próximo de familiares e amigos é crucial. Conversas, atenção a sinais de isolamento ou mudanças comportamentais e encaminhamento a autoridades podem impedir a escalada da violência. Ela reforça que a prevenção depende não apenas de medidas legais, mas da atuação da rede de apoio social e comunitária.
Como denunciar
Atualmente, Mato Grosso conta com nove Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher (DDM) em Cuiabá e no interior do estado, além de mais de 20 núcleos especializados de atendimento especializados à mulher. Os plantões 24 horas funcionam na região do Planalto, em Cuiabá, e em núcleos de Várzea Grande e Rondonópolis.
Cidades do interior, como Barra do Bugres, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Alta Floresta, Peixoto de Azevedo e Água Boa, também possuem unidades com equipes femininas capacitadas para acolher vítimas de violência.
Os núcleos e delegacias oferecem atendimento humanizado, com espaços seguros, brinquedotecas para crianças e policiais treinados. “Essas boas práticas, que incluem capacitação dos servidores e estrutura adequada, são essenciais para prevenir e enfrentar a violência de gênero”, destaca Mariell Antonini.
As vítimas podem registrar ocorrências de forma presencial nas Delegacias de Defesa da Mulher ou em qualquer delegacia de polícia. Também é possível utilizar o aplicativo SOS Mulher para solicitar medidas protetivas online, ou ligar para os seguintes canais:
180 – Central de Atendimento à Mulher, 24 horas
197 – Canal de denúncias da Polícia Civil
190 – Atendimento emergencial pela Polícia Militar
181 – Disque-Denúncia
A Polícia Civil de Mato Grosso possui, atualmente, oito Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher na Capital e interior do estado, e duas unidades de plantão 24 horas em Cuiabá e VG:
CUIABÁ (região metropolitana)
– PLANTÃO 24H DE ATENDIMENTO A VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SEXUAL
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá
VÁRZEA GRANDE (região metropolitana)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso
– Núcleo de Atendimento Especializado de defesa da Mulher e Crianças, funcionando 24 horas, na Central de Flagrantes de Várzea Grande.
RONDONÓPOLIS (região sudeste)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher
BARRA DO GARÇAS (região leste)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher
CÁCERES (região oeste)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher
SINOP (região norte)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso
TANGARÁ DA SERRA (região médio norte)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher
PRIMAVERA DO LESTE (região sul)
– Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso
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