Da Redação/ Power Mix
Mato Grosso/MT
Mato Grosso atingiu a marca de 16 mil pessoas presas em regime fechado, evidenciando um avanço acelerado do encarceramento na última década e acendendo um alerta para a pressão sobre o sistema prisional do Estado. A taxa de reincidência, estimada em 41% em até cinco anos, agrava ainda mais o cenário.
Dados reunidos a partir de levantamentos da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a população carcerária praticamente dobrou em dez anos. Em 2016, o Estado registrava cerca de 9,6 mil presos. Em janeiro de 2026, o número saltou para 16 mil apenas no regime fechado, um aumento de aproximadamente 66,6%.
O crescimento em Mato Grosso supera a média nacional. No mesmo período, o Brasil passou de cerca de 726 mil para 938 mil pessoas privadas de liberdade, alta de 29%. O avanço mais acelerado no Estado indica maior intensidade no encarceramento ou mudanças no perfil das decisões judiciais.
Outro ponto de atenção é a aceleração recente. Entre o fim de 2024 e o início de 2026, o número de presos em regime fechado cresceu cerca de 17,5%, índice quase três vezes superior à média dos anos anteriores.
O impacto direto é a superlotação. Relatório do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso aponta quadro crítico em unidades como a Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, o “Ferrugem”, em Sinop. A unidade, projetada para 1.328 vagas, abrigava 1.742 detentos, excedendo a capacidade em 414 presos e alcançando taxa de ocupação superior a 131%.
Embora a média estadual de ocupação seja estimada em 126%, abaixo da média nacional de 150%, especialistas alertam que o índice mascara desigualdades internas. Grandes unidades em cidades como Cuiabá, Rondonópolis e Sinop concentram a maior pressão, enquanto presídios menores ajudam a diluir a média geral.
O déficit atual ultrapassa 3,4 mil vagas, elevando o risco de crises internas, rebeliões e dificuldades na gestão do sistema.
Outro fator crítico é a reincidência. Estudos apontam que 41% dos detentos voltam a cometer crimes em até cinco anos, o que mantém elevado o fluxo de entrada no sistema, mesmo com esforços para ampliação de vagas e realização de mutirões judiciais.
Considerando também presos em regimes semiaberto, aberto e monitorados por tornozeleira eletrônica, a população sob custódia do Estado pode chegar a até 23 mil pessoas.
O cenário reforça a necessidade de revisão das políticas públicas voltadas ao sistema penal, incluindo alternativas ao encarceramento, investimentos em ressocialização e maior eficiência na reintegração social de Mato Grosso.
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