A ideia de que a humanidade aprende com a história e consegue evitar repetir os mesmos erros é uma concepção ingênua, segundo Michel Gherman, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Ghermen afirma que a história tem uma “perspectiva de tragédia”.
“Eu acho que essa ideia de que a humanidade aprende com a história é uma ideia que tem muito a ver com filosofia da história, tem muito a ver com uma perspectiva de compreensão da história como algo que caminha linearmente e que tem como responsabilidade o ensino”, disse Gherman ao WW Especial.
O historiador reconhece que é possível instrumentalizar a história através da educação, das leis e da luta por expansão de direitos, o que nos dá condições de compreender os processos históricos e aprender com eles.
Porém, ressalta que a história em si possui uma dimensão trágica, referenciando o conceito do filósofo Walter Benjamin sobre o “anjo da história” que caminha para frente sem conseguir parar os movimentos ou ensinar o que está acontecendo.
Gherman cita especialmente o físico, Albert Einstein, o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, e o sociólogo Karl Marx como bases para entender as “dimensões da história”.
Segundo o historiador, essas figuras tinham como perspectiva a compreensão de que, além dos elementos visíveis, existem dimensões invisibilizadas que influenciam os processos históricos.
“Para além das dimensões objetivas e claras da história, há uma dimensão menos clara e menos visível que também nos faz compreender referências que influenciam a história, apesar de não serem objetivamente claras para quem olha os processos históricos”, conclui o professor.
WW Especial
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