Na primeira resposta às duras críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Papa Leão XIV, um funcionário do Vaticano disse nesta segunda-feira (13) que o líder americano estava atacando “uma voz moral” porque “não consegue contê-la”.
“Trump não debate com Leão: ele implora que o Papa se refugie em uma linguagem que ele possa dominar. Mas o Papa fala outra língua, uma que se recusa a ser reduzida à gramática da força, da segurança, do interesse nacional”, disse o padre e subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, Antonio Spadaro, no X.
Donald J. #Trump targets #PopeLeo XIV—and in doing so, reveals a deeper unease. When political power turns against a moral voice, it is often because it cannot contain it. Trump does not argue with Leo; he implores him to return to a language he can control. But the Pope speaks… pic.twitter.com/X7kesOFAiY
— Antonio Spadaro (@antoniospadaro) April 13, 2026
Leão XIII, o primeiro papa americano, tem se manifestado cada vez mais sobre a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, tendo condenado na semana passada a retórica e as ameaças de Trump contra o povo iraniano como “verdadeiramente inaceitáveis”.
Em declarações na noite de domingo (12), Trump afirmou que “não era fã do Papa Leão”, enquanto o pontífice se preparava para uma viagem de 10 dias por quatro países africanos.
“Não gostamos de um papa que diga que é aceitável ter uma arma nuclear. … Ele é um homem que não acha que devamos brincar com um país que quer uma arma nuclear para poder destruir o world.”
Na rede social Truth Social, o republicano chamou Leão de “fraco no combate ao crime” e ”péssimo em política externa”.
Christopher Lamb, correspondente da CNN no Vaticano que acompanha o Papa Leão XIII, disse que “não se lembra da última vez que o presidente dos Estados Unidos atacou um papa dessa maneira”.
Lamb afirmou que o Papa Leão XIII é “uma espécie de contrapeso espiritual e diplomático ao Presidente Trump”, observando que seu “estilo de liderança e suas prioridades contrastam com os do Presidente dos EUA”.
O Papa Leão XIII está prestes a se tornar o primeiro papa a visitar a Argélia, um país de maioria muçulmana, antes de seguir para Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
“O contraste entre um papa americano na Argélia, um país muçulmano, num momento em que os EUA estão envolvidos numa operação militar no Irã, é gritante”, disse Lamb.
Lamb disse que as declarações do pontífice sobre a guerra estão “repercutindo nos EUA”.
“E, obviamente, o presidente Trump respondeu de uma forma muito forte e sem precedentes”, disse Lamb.

