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Análise: Lula dobra aposta ao revogar visto de assessor de Trump


O governo brasileiro revogou o visto de Darren Beattie, assessor sênior de Donald Trump, em uma clara resposta à recente negativa de visto americano ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A decisão, comunicada oficialmente pelo Itamaraty, inclui ainda a acusação de que Beattie teria mentido em seu pedido de visto.

Segundo o analista político Matheus Teixeira, durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (13), a medida representa um endurecimento nas relações diplomáticas entre os dois países. “O presidente Lula costuma falar da altivez e da soberania e ele deu o troco na mesma moeda. Vocês não deixam o Padilha entrar aí, meu ministro, eu também não vou deixar ele [Beattie] entrar aqui”, explicou.

A situação ganha contornos ainda mais delicados pelo fato de Beattie não ser um assessor de baixo escalão, mas sim uma figura importante da administração americana que pretendia vir ao Brasil para encontros com representantes políticos.

Não é um assessor qualquer do terceiro, quarto escalão que sequer tem relação com o Trump. Pelo contrário, é uma pessoa importante da administração americana”, destacou Teixeira.

Impactos nas relações diplomáticas

O episódio ocorre em um momento sensível, pouco depois da reaproximação entre Lula e Trump, que chegaram a falar sobre uma “química” positiva após o fim da polêmica sobre tarifas. No entanto, a relação tem sido marcada por ambiguidades, com críticas ocasionais de ambos os lados.

“Uma coisa é uma declaração pública sobre governar pelo Twitter, que é uma declaração contundente. Mas caçar o visto e dizer que ele mentiu ao tentar o visto é uma decisão institucional, não é apenas um discurso político”, analisou Teixeira, destacando a gravidade da medida tomada pelo governo brasileiro.

De acordo com Teixeira, o posicionamento representa um novo capítulo nas relações Brasil-Estados Unidos, podendo impactar inclusive a visita de Lula aos EUA prevista para abril.



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