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Crédito privado avança no agro com perda de fôlego do Estado


As prioridades dos governos no Brasil colocam em xeque a capacidade do setor público de sustentar o financiamento da agropecuária.

A avaliação das cooperativas brasileiras é de que o modelo passa por uma mudança estrutural, com maior participação do mercado de capitais e instrumentos privados, enquanto o crédito público perde peso relativo.

A leitura do setor é que o Plano Safra segue relevante como referência de taxas e diretrizes, mas deixou de ser o principal motor de financiamento da produção.

“Nós vamos ter dificuldade. A capacidade dos governos de arrumar crédito para a agricultura brasileira está cada vez mais diminuída. E não é só incompetência, é impotência. Os governos têm outras prioridades”, afirmou o presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Márcio Lopes de Freitas, ao CNN Agro durante apresentação da agenda do setor nesta terça-feira (17).

Segundo ele, hoje, enquanto o Tesouro Nacional destina cerca de R$ 13 bilhões para equalizar juros, a agropecuária brasileira movimenta algo próximo de R$ 2 trilhões — diferença que tem sido suprida por operações privadas, como barter, crédito de fornecedores e emissões no mercado financeiro.

Freitas pontua que o avanço desse modelo depende de condições básicas, como segurança jurídica e instrumentos de mitigação de risco.

“As maiores cooperativas já operam na B3, emitindo títulos, inclusive internacionais. Essa é a tendência. O que nós precisamos é garantir segurança jurídica e um bom seguro. Se a cooperativa é bem gerida, sempre há interesse em investir no agro brasileiro”, frisou.

Esse movimento já vem sendo observado dentro do próprio governo e no mercado.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que o estoque de instrumentos privados — como CPR (Cédula de Produto Rural), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) — já supera R$ 1,4 trilhão no país, ampliando de forma consistente a participação do mercado de capitais no financiamento da produção.

Na avaliação de técnicos e integrantes da Esplanada, a diversificação das fontes de recursos deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma necessidade diante das limitações fiscais e do custo crescente do crédito público.

Renda menor e produtores pressionados

Essa mudança ocorre em um momento de perda de renda e maior fragilidade financeira no campo.

Freitas aponta que a combinação de queda nos preços das commodities com custos ainda elevados reduziu a margem da atividade, especialmente para produtores com menor escala e mais expostos a choques recentes, como a guerra no Oriente Médio e os preços mais baixos no mercado internacional.

“Hoje a perda de renda do setor agrícola é muito grande. Nós vendíamos soja dois anos atrás a R$ 200, hoje está a R$ 110. Com custo subindo, com guerra, com insumo e diesel mais caros, o produtor fica pressionado”, afirmou o presidente da OCB.

Segundo ele, esse cenário já se traduz em aumento do endividamento e necessidade de ajustes, com impacto mais forte entre os produtores menores, que passam a demandar maior suporte das cooperativas.

“Os menos eficientes estão com problema, e essa parcela não é pequena. Vamos ter que alongar, vamos ter que dar prazo, dá para renegociar e dar fôlego até que eles se ajustem. Tem produtor que já vem descapitalizado por problemas climáticos e entra agora numa fase de preço ruim, o que agrava a situação”, disse.

Dependência de insumos expõe vulnerabilidade

Nesse contexto, a dependência de produtos importados para alimentar as cadeias produtivas ganha peso como risco estrutural para o agro brasileiro.

A presidente executiva da OCB, Tânia Zanella, destacou que esse cenário expõe fragilidades do setor que precisam ser enfrentadas com políticas estruturantes.

“Quando há guerra, quando há instabilidade geopolítica, a gente percebe o quanto nós precisamos pensar numa política estruturante aqui no nosso país. O Brasil é muito dependente ainda dessa questão dos insumos fertilizantes de outros países”, afirmou ao CNN Agro.

Segundo ela, o cenário reforça a necessidade de desenvolver alternativas domésticas e diversificar fontes de suprimento.

“É fundamental trazer essa discussão para o Brasil, discutir fontes, iniciativas que sejam mais locais, para que o país possa, quem sabe, ser autossustentável também nessa questão”, disse.

Cooperativas ampliam papel no novo modelo

Com o crédito mais caro e a maior participação do mercado, as cooperativas tendem a ganhar ainda mais relevância como elo entre produtores e financiamento.

Hoje, cerca de 54% da originação da produção passa por cooperativas, que atuam na oferta de crédito, insumos, armazenagem e comercialização.

Nesse ambiente, a tendência é de fortalecimento do cooperativismo como canal de acesso a recursos e organização da produção.

“As cooperativas têm uma participação muito grande dentro do setor produtivo agropecuário. Hoje, 54% da originação vem de cooperativa. A gente tem uma crescente também das nossas agroindústrias”, afirmou Zanella.

Agenda mira seguro, crédito e redução de riscos

Diante desse diagnóstico, o setor apresentou sua agenda institucional para 2026 com foco em instrumentos que reduzam riscos e ampliem a previsibilidade.

O seguro agrícola aparece como uma das principais prioridades, em meio ao aumento do endividamento e da volatilidade.

“O seguro agrícola é uma falta fundamental, não só para os nossos cooperados, mas para todo o agronegócio brasileiro. O projeto que está hoje na Câmara pode mudar consideravelmente o panorama de endividamento do setor”, afirmou Zanella.

A agenda também inclui a manutenção e ampliação do crédito rural, o estímulo a instrumentos privados de financiamento, políticas para reduzir a dependência de fertilizantes e investimentos em logística e armazenagem.

 



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