Pensar o Brasil das próximas décadas exige mais do que acompanhar os avanços científicos e tecnológicos. É preciso antecipar transformações, identificar oportunidades e transformar conhecimento em decisões capazes de orientar o desenvolvimento do país. Essa foi uma das principais reflexões da celebração dos 25 anos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), nessa quarta-feira (4), em Brasília (DF), com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Com o tema CGEE 25+25 — E Se Estivéssemos Celebrando em 2051?, o encontro reuniu representantes do governo, da comunidade científica e de instituições de pesquisa e fomento para discutir o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na construção de um Brasil mais justo, competitivo e sustentável.
Durante a abertura, Luciana Santos destacou a contribuição do CGEE para aproximar o conhecimento científico das decisões governamentais, por meio de estudos e análises que orientam políticas públicas e o planejamento do desenvolvimento nacional. “É justamente aí que o CGEE desempenha um papel tão importante. Nos últimos quatro anos, o centro tem sido um parceiro fundamental do MCTI nessa tarefa de reconstrução e de retomada do planejamento estratégico nacional”, afirmou a ministra.
Conhecimento científico a serviço das políticas públicas
Ao longo de 25 anos, o CGEE tem contribuído para a formulação e a avaliação de políticas públicas por meio de estudos estratégicos, diagnósticos e análises de tendências científicas e tecnológicas. Entre as principais contribuições recentes está o apoio à 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em 2024, após 14 anos sem uma edição nacional, que mobilizou mais de 100 mil participantes.
O centro também participou da elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) e prestou apoio técnico ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia). Outra frente de atuação envolve estudos sobre minerais críticos e estratégicos, especialmente terras raras, fundamentais para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias, além de pesquisas sobre a criação de uma capacidade nacional de Posicionamento, Navegação e Tempo (PNT), conhecida como GPS brasileiro.
A atuação do CGEE inclui ainda estudos sobre formação de mestres e doutores, percepção pública da ciência, da biodiversidade, da bioeconomia e do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Por meio de observatórios e do Programa Política com Ciência, a instituição também produz dados e indicadores para subsidiar decisões e acompanhar os resultados das políticas públicas.
Escolhas do presente definem o Brasil de 2051
A proposta de projetar o Brasil até 2051, quando o CGEE completará 50 anos, orientou os debates sobre soberania tecnológica, redução das desigualdades e desenvolvimento econômico e social. Durante sua participação, Luciana Santos defendeu que o País amplie sua capacidade de produzir conhecimento, dominar tecnologias estratégicas e agregar valor às riquezas naturais e à biodiversidade, com instituições capazes de planejar o futuro para além dos ciclos de governo.
“Esse futuro não será construído por acaso. Ele depende das decisões que tomamos hoje. E o CGEE tem uma atuação extraordinária nessa construção, iluminando caminhos, antecipando riscos, identificando oportunidades e oferecendo ao Estado brasileiro a inteligência estratégica necessária para fazer as melhores escolhas”, destacou.
O diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, também relacionou o futuro do País à capacidade de transformar conhecimento em decisões. Ele propôs um exercício de imaginação sobre o Brasil de 2051, com avanços na inteligência artificial, na soberania tecnológica e na qualidade de vida da população. A reflexão destacou a importância de identificar sinais de transformação e agir com base em evidências, sem depender de previsões sobre o que acontecerá nas próximas décadas.
“O que é que o futuro reconhecerá em nós? Não as previsões que a gente acertou ou não, mas as escolhas que tivemos a coragem de fazer”, afirmou Anderson Gomes.
Ciência e soberania tecnológica
A celebração também reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir os desafios do Brasil até 2051. Os debates abordaram os impactos das novas tecnologias, a inclusão social e o desenvolvimento econômico, com destaque para áreas estratégicas como inteligência artificial, transição energética, bioeconomia e neoindustrialização.
As discussões ressaltaram a importância de integrar conhecimento científico, planejamento público e instrumentos de fomento para antecipar desafios e orientar decisões. Nesse contexto, o CGEE contribui para a formulação de políticas públicas que fortaleçam a soberania tecnológica e transformem os avanços científicos em benefícios para a população.










