As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos trouxeram resultados históricos para o Partido Democrata, que conquistou viradas expressivas em seis estados tradicionalmente republicanos: Ohio, Carolina do Norte, Iowa, Carolina do Sul, Texas e Kansas.
A editora de Internacional da CNN Jéssica Petrovna explica o tema ao Hora H.
Em alguns desses estados, a última vitória democrata havia ocorrido há décadas — e, no caso do Kansas, há mais de 90 anos.
A análise dos resultados revela uma cronologia impressionante. Em Ohio, a virada foi a mais recente entre os seis estados: após governos democratas em 2018 e republicanos em 2022 e 2024, o estado voltou ao azul.
Já na Carolina do Norte e em Iowa, a última gestão democrata havia sido em 2008, após cinco mandatos consecutivos de republicanos. Na Carolina do Sul, o intervalo foi ainda maior: a última vitória democrata havia ocorrido em 1998.
Texas e Kansas: as viradas mais simbólicas
No Texas, os democratas não venciam desde 1988 — uma ausência de quase quatro décadas. Além de retomar o Senado estadual, o partido elegeu a primeira governadora latina e hispânica do estado, Gina Hinojosa.
“O que a gente viu ontem foi o Partido Democrata ganhando não só nos estados que já estavam no radar do partido desde o início da disputa, mas também nesses estados que são redutos tradicionais do Partido Republicano”, destacou Jéssica Petrovna.
Já o Kansas representou a virada mais emblemática: a última vitória democrata no estado havia sido em 1932, ou seja, 94 anos atrás.
Mudanças demográficas no Texas explicam a virada
Segundo Jéssica Petrovna, o resultado no Texas não é uma surpresa para analistas que acompanham as transformações demográficas do estado há anos.
O Texas é o segundo estado mais populoso dos Estados Unidos, com mais de 30 milhões de habitantes, e conta com 40 delegados eleitorais para as eleições presidenciais.
Uma projeção do Centro Demográfico do Texas, com base no censo de 2020, aponta que a população pode chegar a 46 milhões de pessoas até 2060 — número superior aos atuais 39 milhões de habitantes da Califórnia, o estado mais populoso do país.
Esse crescimento é impulsionado principalmente pela migração interna dentro dos próprios Estados Unidos.
Fatores como moradias mais baratas, impostos mais baixos e a chegada de grandes empresas de tecnologia — como Tesla e Oracle — atraíram milhões de pessoas de estados como Califórnia e Nova York.
“A população vai ficando mais diversa, mais jovem, mais escolarizada. E esse é o público que tende, historicamente, a favorecer o Partido Democrata”, explicou Jéssica Petrovna.
Os latinos já são o maior grupo étnico do Texas, e questões como economia, imigração e o impacto dos data centers nas comunidades locais também pesaram no resultado.
Além disso, a presença crescente de grandes centros urbanos no estado tende a favorecer o desempenho democrata nessas regiões.










