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Honda NSX de Ayrton Senna: conheça o esportivo vendido por R$ 6,3 milhões


O Honda NSX de 1991 que pertenceu à frota de carros disponibilizada a Ayrton Senna foi vendido por 871 mil libras (cerca de R$ 6,3 milhões) durante um leilão da RM Sotheby’s, realizado em Londres, no Reino Unido. O valor superou as expectativas para o exemplar, identificado pelo chassi T000233 e preservado na cor original vermelha Formula Red, com teto preto e interior revestido de couro escuro.

Mais do que a ligação com o tricampeão mundial de Fórmula 1, o carro representa uma fase importante da indústria japonesa. Lançado no início dos anos 1990, o NSX foi desenvolvido para enfrentar esportivos europeus de marcas como Ferrari e Porsche, mas com uma proposta que permitisse também o uso cotidiano. A combinação de motor central, construção em alumínio e soluções de engenharia pouco comuns em modelos de produção ajudou a estabelecer sua reputação.

O exemplar de Senna que foi leiloado utiliza o motor Honda C30A, um V6 de 3,0 litros aspirado instalado transversalmente atrás dos bancos e à frente do eixo traseiro. Na especificação europeia, o propulsor entrega 274 cv e 29 kgfm de torque. A transmissão é manual de cinco marchas, responsável por levar a força às rodas traseiras.

A velocidade máxima declarada para essa configuração chega a 265 km/h. O conjunto mecânico foi desenvolvido com foco em respostas progressivas e aproveitamento da faixa de rotações, características associadas à tecnologia VTEC, sistema de variação do comando de válvulas desenvolvido pela Honda.

O NSX também se diferenciava pela construção. Foi o primeiro carro de produção em série a utilizar uma estrutura monocoque de alumínio, solução que ajudava a reduzir o peso sem abrir mão da rigidez necessária para um esportivo. Nos modelos de 1991, o peso em ordem de marcha ficava em torno de 1.365 kg.

Projeto teve participação de Senna

O desenvolvimento do NSX começou em 1985, sob a coordenação do engenheiro Shigeru Uehara. O desenho da carroceria teve inspiração na cabine do caça F-16, especialmente na proposta de posicionar o motorista de maneira avançada e ampliar a visibilidade ao redor do veículo.

Senna participou da avaliação dinâmica do protótipo em 1989, no Japão. Durante os testes no circuito de Suzuka, o brasileiro considerou que a estrutura ainda precisava de maior rigidez. A observação levou os engenheiros a reforçar o monobloco, com aumento de 50% na rigidez estrutural, além de ajustes na suspensão.

A produção começou em 1990, em uma fábrica dedicada em Tochigi, no Japão. A montagem tinha participação manual e ritmo limitado, com capacidade de aproximadamente 25 unidades por dia. A procura inicial foi elevada, chegando a gerar espera de até três anos em determinados mercados.

O chassi T000233 fazia parte de um conjunto de três NSX disponibilizados pela Honda ao piloto. Os outros dois eram pretos. O exemplar vendido em Londres foi importado pela Honda Automobil de Portugal e registrado em 22 de março de 1991, com a placa SX-25-59. Ficava baseado em Lisboa e era entregue a Senna quando ele estava no país.

Durante a temporada de 1991, o brasileiro utilizou o carro para ir ao circuito de Estoril, onde disputou o Grande Prêmio de Portugal. Naquela prova, largou em terceiro lugar e terminou na segunda posição. O NSX também apareceu no documentário “Ayrton Senna: Racing Is in My Blood”   , de 1992, em cenas nas quais o piloto acelera e provoca a perda de aderência das rodas traseiras. Outra imagem conhecida mostra Senna lavando a carroceria com uma mangueira.

Após a morte do piloto, em 1994, o esportivo permaneceu em Portugal e passou por diferentes proprietários. Foi registrado em Lisboa em fevereiro de 1995, esteve sob os cuidados da concessionária Nipomotor em 1997 e foi comprado por um empresário do Algarve em 2009. Em 2013, seguiu para o Reino Unido, onde recebeu registro para circulação em 2016. O carro também participou de uma homenagem a Senna em Ímola, na Itália, em 2019. Em 2024, foi adquirido por um proprietário japonês e retornou ao Reino Unido para o leilão.

Uma outra curiosidade, o Honda NSX tem um “irmão gêmeo”.  Trata-se do Acura NSX e era o mesmo carro, mas com nome diferente para os Estados Unidos e Hong Kong.




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