O secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Silva Melo, confirmou nesta quarta-feira (28.10), durante depoimento à CPI da Saúde da Assembleia Legislativa (ALMT), que sua esposa prestou serviços ao Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, em Nova Mutum. O gestor, no entanto, negou que a atuação profissional dela tenha influenciado o aumento dos recursos destinados à unidade e afirmou que a mulher acionou a Justiça após as acusações de possível favorecimento.
A relação comercial já havia sido revelada com exclusividade pelo
, que identificou o hospital de Nova Mutum entre os clientes da Machen Consultoria, empresa que tem Michelly Lustri Fabre de Figueiredo, esposa do secretário, como sócia-administradora. A própria consultoria divulga a prestação de serviços de Saúde e Segurança do Trabalho à unidade hospitalar. Leia matéria relacionada: Sem licitação, secretário de Saúde de MT contrata hospital cliente da esposa
O hospital é administrado pelo Instituto São Lucas, que firmou contrato de R$ 359,8 milhões com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), em abril de 2026, para dois anos de atendimento. Juliano aparece como representante da pasta na contratação. O montante corresponde aos serviços hospitalares contratados pelo Estado, e não à remuneração da empresa da esposa do secretário.
A ligação entre a consultoria e o hospital foi questionada pelo presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSD). Segundo o parlamentar, a comissão recebeu uma denúncia de que unidades hospitalares atendidas pela esposa de Juliano teriam registrado crescimento expressivo nos recursos públicos recebidos.
Wilson citou especificamente o hospital de Nova Mutum e questionou o secretário sobre um possível conflito de interesses.
A suspeita já havia sido levantada publicamente pelo deputado em 14 de outubro, quando anunciou que cobraria explicações sobre um possível tratamento privilegiado à esposa do secretário desde o período em que Juliano ocupava o cargo de secretário adjunto, em 2019.
Na ocasião, o parlamentar não detalhou quais decisões administrativas teriam beneficiado a profissional.
Secretário contesta questionamento na CPI
Ao responder às perguntas, Juliano contestou inicialmente a inclusão do assunto na investigação parlamentar, argumentando que a atividade profissional da esposa não integra o objeto da CPI.
“Deputado, antes de qualquer resposta quanto a isso, o senhor sabe que isso também não é objeto da CPI, não é do escopo, então que fique bem registrado esse ato”, afirmou.
Em seguida, o secretário defendeu a qualificação profissional de Michelly e sustentou que ela atua de maneira independente, como profissional autônoma especializada em engenharia de segurança do trabalho.
Juliano negou qualquer interferência na contratação dos serviços prestados pela esposa e rejeitou a possibilidade de favorecimento ao hospital em razão dessa relação comercial.
Segundo ele, os serviços executados pela profissional são pontuais e não possuem ligação com o contrato firmado entre a SES e o Instituto São Lucas para atendimento à população.
O secretário também argumentou que a relação contratual entre o Estado e a instituição hospitalar é antiga e que o aumento dos valores ocorreu em razão da ampliação dos serviços oferecidos.
“É uma renovação de um contrato antigo, de uma relação muito bem consolidada, é um dos hospitais mais produtivos que a gente tem na rede. O contrato mais recente dele já veio justamente porque incorporou novos serviços, novas atualizações”, argumentou.
Juliano acrescentou que a fiscalização contratual é realizada por uma comissão, com participação de equipes da Secretaria de Estado de Saúde.
Esposa do secretário acionou a Justiça
Durante o depoimento, Juliano revelou que sua esposa decidiu recorrer à Justiça em razão das acusações envolvendo sua atividade profissional.
O secretário, entretanto, não informou contra quem a medida judicial foi apresentada nem detalhou os pedidos formulados.
Wilson também questionou se Michelly já prestava serviços ao hospital antes de maio de 2019, período em que Juliano ocupava cargo na gestão estadual da Saúde.
Ao ser perguntado sobre os pagamentos pelos serviços, o secretário afirmou que a esposa nunca recebeu recursos diretamente da SES.
Em manifestação anterior encaminhada ao
, a Secretaria de Estado de Saúde já havia negado qualquer favorecimento e informado que a relação contratual entre o Estado e o Instituto São Lucas é anterior a 2020.
A pasta também sustentou que a ampliação dos serviços hospitalares foi precedida de estudo técnico.
A CPI da Saúde investiga possíveis irregularidades em contratos e pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde.
Até o momento, os questionamentos apresentados não demonstram, por si só, que a atuação profissional da esposa tenha interferido nas decisões administrativas ou nos valores contratados pelo Estado.
Secretário admite vínculo da esposa com hospital de R$ 359 milhões e nega favorecimento Leia mais em: https://t.co/4J3ZHfkaXC
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