Em artigo de 10 de outubro intitulado “Esquerda ‘antifascista’ cerrará fileiras com a LCP ou apenas com Geraldo Alckmin?”, o Diário Causa Operária (DCO), ligado ao Partido da Causa Operária (PCO), defendeu a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e convocou uma campanha nacional de solidariedade aos camponeses pobres.
A defesa dos camponeses precisa “ultrapassar os limites do campo”, sustenta o DCO. A publicação chama sindicatos, organizações estudantis, movimentos populares e trabalhadores das cidades a “cerrar fileiras com a LCP e com os camponeses pobres” em luta contra as hordas do latifúndio e da extrema direita. Propõe denunciar a repressão em fábricas, bairros operários, universidades e manifestações populares e exigir o fim dos despejos e da perseguição aos dirigentes camponeses.
O DCO também defende a “expropriação das grandes propriedades, sem indenização”, a tomada dessas terras pelos camponeses e o direito à autodefesa armada diante da violência dos pistoleiros e forças de repressão do velho Estado a soldo do latifúndio.
Flávio Bolsonaro diz que ‘LCP é terrorista’ e afirma que ela ‘tem dia e hora pra acabar’ – A Nova Democracia
Campanha de Flávio publica vídeo sob o título “LCP deve ser classificada como terrorista” e requenta a bravata do patriarca Jair Bolsonaro, que já prometera “conter esse terrorismo” em Rondônia e fora derrotado pela grandiosa resistência camponesa em 2020-21. Na conversa com Flávio, Fernando Máximo, eleito senador por Rondônia, associa a LCP ao “crime organizado”, acusa-a de portar fuzis e matar policiais e exige tratá-la como “terrorista”
O terror bolsonarista contra a luta pela terra
Flávio Bolsonaro ameaçou a LCP, afirmando que ela “tem dia e hora pra acabar”, ao lado de seu assecla Fernando Máximo (PL), eleito senador por Rondônia, que exige classificá-la como “terrorista”. A própria campanha bolsonarista adotou esse enquadramento no título do vídeo veiculado pela TV Celular.
O DCO destaca Rondônia como o estado “onde existe o maior conflito social entre latifundiários e sem terra/camponeses pobres”, antagonismo que expressa a contradição principal no País hoje, cuja solução exige a Revolução Agrária.
Nas eleições de 4 de outubro, Fernando Máximo e Bruno Scheid (PL) foram eleitos senadores; Marcos Rogério (PL) e seu vice, o delegado Rodrigo Camargo (Podemos), conquistaram o governo de Rondônia. O DCO denuncia: “São políticos que fizeram do combate às ocupações de terra uma de suas principais bandeiras, comprovando que são paus-mandados dos latifundiários”.

O município, a terra e o voto: a máquina oligárquica que sustenta o sistema político – A Nova Democracia
A concentração da terra não produz apenas poder econômico no campo. Por meio das oligarquias municipais e regionais, ela se converte em empregos, contratos, favores, crédito, obras e votos, ligando o domínio local à reprodução do Congresso, dos governos estaduais e do próprio sistema político nacional.
Marcos Rogério já havia apresentado o Projeto de Lei 2.250/2021, para enquadrar determinadas ocupações de imóveis rurais como atos de terrorismo. A justificativa cita nominalmente a LCP. Ele também aparece em fotografia com o chefe de pistolagem Gesulino Cesar Travagine Castro, condenado a 35 anos de prisão em 2023 como mandante da chacina de seis pessoas em Buritis, em 2012. Alex Redano também é citado entre os políticos ligados a Gesulino.
O DCO alerta para o alcance dessa campanha de criminalização: “A classificação da organização como terrorista serviria para ampliar a repressão, perseguir seus dirigentes e transformar a luta pela terra em caso de segurança nacional”.
O filho pródigo requenta o expediente do patriarca Jair Bolsonaro, cujo governo genocida planificou e desencadeou a Operação “Nova Mutum” em 2021. Mais de 3 mil agentes foram mobilizados contra aproximadamente 800 famílias camponesas, gastando mais de R$ 1 milhão por dia. De nada adiantou: a grandiosa resistência dos camponeses derrotou a operação e impediu a consolidação do despejo.

O velho Estado fica nu no seminário Terra em Conflito em Rondônia – A Nova Democracia
Seminário em Porto Velho expõe paralisia da “reforma agrária”, avanço da violência no campo e denúncias de criminalização de camponeses e indígenas em Rondônia.
DCO critica alianças torpes da falsa esquerda
O DCO denuncia: “A esquerda frente-amplista transformou o fascismo numa acusação aplicável a praticamente qualquer bocejo dos bolsonaristas. Com isso, esvazia o significado de uma política fascista real, que envolve a utilização organizada da violência contra o movimento operário e as organizações populares”.
A publicação afirma: “A campanha do medo contra Flávio Bolsonaro acaba servindo para justificar o apoio a políticos burgueses, inclusive a setores que possuem interesses diretamente opostos aos dos trabalhadores rurais. O combate ao fascismo fica reduzido à escolha do ‘menos pior’ nas urnas”.
Por isso, o DCO conclama a esquerda a defender a LCP e os camponeses pobres, em vez de cerrar fileiras “com Geraldo Alckmin e os representantes da burguesia que mantêm o latifúndio intocado e exterminam os sem terra”.
Na 39ª Conferência Nacional do PCO, em 11 de outubro, Rui Costa Pimenta afirmou que “o PT não é alternativa em nenhum sentido”. De fato, os crimes do latifúndio e do velho Estado contra os camponeses, indígenas e quilombolas perduram em todos os governos de turno.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou 2.008 assassinatos no campo entre 1985 e 2023, cerca de 51 por ano. Nos três primeiros mandatos petistas, importantes dirigentes da LCP como Zé Bentão (2008), Luiz Lopes, Élcio Machado e Gilson Gonçalves (2009), Renato Nathan (2012) e Cleomar Rodrigues (2014), todos amados pelas massas camponesas, foram aniquilados seletivamente pelo latifúndio e pelo velho Estado. Em janeiro de 2026, foi executado o dirigente camponês Adeildo Gonçalves Calheiro, o companheiro “Flecha”.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou a duplicação da média anual de assassinatos de indígenas: de 20 entre 1995 e 2002 para 40 entre 2003 e 2005. Em Mato Grosso do Sul, onde a violência atinge especialmente os Guarani-Kaiowá, a entidade contou 13 indígenas assassinados em 2003 e 53 em 2007. Nos três primeiros anos do terceiro mandato de Luiz Inácio (2023-2025), a média de assassinatos de indígenas foi de 225,7 por ano, 13,5% acima dos 198,75 registrados sob o governo militar genocida de Bolsonaro e generais golpistas (2019-2022). Para ficarmos apenas nesses exemplos…

Os resultados do primeiro turno das eleições demonstram a falência da tática do oportunismo (mais uma vez) – A Nova Democracia
A falsa esquerda, hasteando bandeiras vermelhas e governando com a direita, fortalece politicamente a extrema direita. A culpa não é das abstenções, senhoras e senhores, mas do próprio oportunismo.
Defender quem enfrenta as hordas bolsonaristas
A defesa da LCP feita pelo DCO é uma posição consequente com a realidade do País. Ser antifascista no Brasil hoje exige defender a Revolução Agrária, que combate o latifúndio, base social do bolsonarismo, e seus bandos pequenos exércitos paramilitares.
Em 28 de setembro de 2024, os posseiros de Barro Branco, em Jaqueira (PE), derrotaram um ataque do bando paramilitar “Invasão Zero”, que mobilizou mais de 50 pistoleiros e latifundiários, em 14 caminhonetes. No comunicado sobre a resistência, a Comissão Nacional das LCPs e a LCP do Nordeste afirmaram que “cada vez mais os camponeses, indígenas e quilombolas percebem que só elevando sua autodefesa poderão assegurar seus direitos”.

‘Aos camponeses, indígenas e quilombolas só resta a guerra’: diretor-geral de AND analisa genocídio contra os povos indígenas e avanço das retomadas – A Nova Democracia
Ataques recentes contra os Guarani-Kaiowá, participação crescente das forças policiais e acusações de “terrorismo” e “guerrilha” contra retomadas expõem uma guerra pela terra que atravessa governos. No A Propósito, diretor-geral de AND relacionou o genocídio à expansão do latifúndio e destacou o avanço da resistência e da autodefesa indígena.
Ao denunciar o primeiro Fórum Nacional do “Invasão Zero”, realizado em Ilhéus (BA), em 7 de junho de 2025, a Liga apontou a reunião de latifundiários, parlamentares e policiais como resposta ao avanço da luta camponesa. A organização reafirmou que “a Revolução Agrária é a questão mais importante no momento para derrotar a extrema direita, toda a reação e o imperialismo”.
Na declaração pelos 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Santa Elina, a Liga denunciou os ataques do latifúndio, da extrema direita e do velho Estado. Apesar dos assassinatos, prisões e perseguições, reafirmou que a secular luta pela terra “marcha em frente firme e inquebrantável”. Os ataques da reação, assegura a LCP, “não podem deter a Revolução Agrária!”.

pôster conquistar a terra por versophilia
pôster impresso em papel couche brilho 250g com arte autoral do versophilia de tema Brasil e luta pela terra










