A escassez de vacinas contra raiva e clostridioses completa cinco meses em Mato Grosso sem que o abastecimento tenha sido normalizado. Mesmo após a autorização de importações emergenciais pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pecuaristas ainda enfrentam dificuldades para encontrar os imunizantes no comércio em diferentes regiões do Estado.
O problema ocorre justamente no Estado que possui o maior rebanho bovino do país, com cerca de 34 milhões de cabeças, ampliando a preocupação de produtores e entidades com a prevenção de doenças capazes de provocar a morte dos animais.
Um novo levantamento realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) junto aos sindicatos rurais confirmou que a baixa disponibilidade comercial dos produtos continua.
O desabastecimento começou a ser percebido em abril e, desde então, produtores vêm enfrentando dificuldades para manter os programas de vacinação das propriedades.
A situação levou a Famato e os sindicatos rurais a intensificarem as discussões com o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e o Mapa em busca de alternativas para ampliar a chegada e a distribuição dos imunizantes.
A preocupação é impedir que uma dificuldade de abastecimento se transforme em problema sanitário dentro das propriedades.
IMPORTAÇÃO NÃO NORMALIZOU MERCADO – A autorização federal para importações emergenciais foi adotada como uma das respostas à falta de vacinas no mercado nacional.
A medida, entretanto, ainda não foi suficiente para normalizar a oferta em Mato Grosso, conforme os relatos reunidos pela Famato.
Isso significa que, embora novas doses possam entrar no país, o produtor ainda encontra dificuldades para adquirir os produtos em quantidade suficiente em algumas regiões.
O novo diagnóstico sobre a disponibilidade das vacinas foi discutido no final da semana passada durante reunião da Famato com presidentes de sindicatos rurais de diferentes partes do Estado.
O encontro, realizado na sede da Federação, tratou de sanidade e defesa animal e serviu para comparar a situação encontrada pelos pecuaristas nos municípios.
A avaliação é de que o problema não ocorre de maneira uniforme. A disponibilidade pode variar de uma região para outra, o que exige acompanhamento local para identificar onde a escassez é mais acentuada.
O coordenador da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti, destacou que esse acompanhamento é necessário justamente porque as dificuldades apresentadas pelos sindicatos podem variar entre as regiões.
A partir dos relatos, a entidade pretende encaminhar as demandas aos órgãos responsáveis pela defesa agropecuária.
RISCO PARA O REBANHO – A preocupação dos pecuaristas está relacionada à importância das duas imunizações para a prevenção de doenças que podem causar mortes no rebanho.
A raiva é uma enfermidade fatal que exige medidas permanentes de vigilância e prevenção nas propriedades.
As clostridioses, por sua vez, reúnem diferentes enfermidades provocadas por bactérias do gênero Clostridium e também podem provocar perdas de animais.
A escassez prolongada das vacinas dificulta o planejamento sanitário das propriedades e aumenta a preocupação principalmente entre produtores que precisam imunizar animais dentro de calendários previamente definidos.
A situação ganha dimensão adicional em Mato Grosso pelo tamanho do rebanho e pela importância da pecuária para a economia estadual.
PRODUTORES BUSCAM ALTERNATIVAS – Para o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, a articulação entre produtores, entidades representativas e órgãos de defesa sanitária é necessária para que as informações sobre a disponibilidade das vacinas cheguem rapidamente ao campo.
A intenção é permitir que o pecuarista consiga se programar diante da oferta limitada e mantenha os cuidados sanitários exigidos para o rebanho.
Famato e sindicatos mantêm diálogo com o Indea-MT e o Ministério da Agricultura para buscar alternativas de distribuição e acompanhar a entrada de novas doses no mercado.
Cinco meses depois do início da escassez, entretanto, a principal questão ainda permanece sem resposta: quando o fornecimento das vacinas contra raiva e clostridioses estará completamente normalizado em Mato Grosso.
A entidade também acompanha a disponibilidade dos produtos nas diferentes regiões para identificar onde a falta é mais crítica e levar essas informações aos órgãos de defesa sanitária.










