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O Grande Debate: Vorcaro pode negociar delação contra a própria PF?


O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quarta-feira (2), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se “Vorcaro pode negociar delação contra a própria PF”.

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado pela PF (Polícia Federal), sinalizou a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que teria disposição para citar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em uma nova proposta de colaboração premiada. A informação é de apuração da CNN.

Segundo a reportagem, Vorcaro foi ouvido pelo magistrado na última quinta-feira, sem a presença de um representante da Polícia Federal. O caso é considerado inédito, uma vez que coloca em discussão a possibilidade de um investigado negociar uma delação contra a própria instituição que o investiga.

Debate sobre a viabilidade da delação

O empresário Leonardo Bortoletto afirmou que Vorcaro tem o direito de negociar uma delação envolvendo qualquer parte, já que ninguém está acima da lei. No entanto, ele ressaltou que o histórico do ex-banqueiro pesa contra essa tentativa.

“Várias tentativas já aconteceram, nenhuma delas foi aceita”, disse Bortoletto, explicando que as propostas anteriores foram rejeitadas por não acrescentarem informações substancialmente novas àquilo que os investigadores já haviam apurado por conta própria, inclusive a partir de dados extraídos dos celulares de Vorcaro.

Bortoletto apontou ainda um elemento que considera inédito na situação atual: o fato de que uma das partes possivelmente delatadas seria justamente aquela que o ouviu.

“Se torna óbvio que não vou delatar alguém para si mesmo”, afirmou. Ele também fez questão de distinguir a instituição do indivíduo, esclarecendo que não seria a Polícia Federal como um todo que estaria sendo delatada, mas sim uma pessoa específica em seu interior.

Oportunismo e falta de credibilidade

O comentarista José Eduardo Cardozo concordou que Vorcaro pode, juridicamente, negociar uma delação e citar quem desejar, desde que apresente as provas cabíveis. Porém, Cardozo foi enfático ao avaliar a situação do ex-banqueiro.

“A grande verdade é que ele perdeu totalmente a credibilidade”, declarou, lembrando que Vorcaro já realizou várias tentativas de colaboração premiada, sempre ocultando ou camuflando informações.

Para Cardozo, a movimentação atual tem contornos oportunistas. Segundo ele, Vorcaro estaria tentando se aproveitar de uma crise entre André Mendonça e a Polícia Federal para viabilizar uma delação que, até agora, não foi aceita. “Isso é de um oportunismo que, se for isso, ele vai se desacreditar ainda mais”, avaliou.

Cardozo acrescentou que tentar inventar fatos contra alguém para justificar uma delação e se safar de responsabilidades seria “absolutamente inaceitável”, e que nem André Mendonça, nem o Ministério Público cairiam nessa armadilha. O comentarista concluiu que, se Vorcaro quiser realmente fazer uma delação, precisará fazê-la com seriedade, sem joguinhos políticos.



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