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Após negócio frustrado com a Thopen, Matrix negocia cinco usinas com a Energisa


A Energisa negocia a compra de cinco usinas solares de micro e minigeração distribuída (MMGD) da Matrix Energia, com capacidade instalada total de 20 MW em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os ativos faziam parte do portfólio que a Matrix havia negociado com a Thopen no ano passado, de 120 MWp, mas cuja transferência não foi concluída integralmente.

Segundo Wilson Ferreira Jr., CEO da Matrix, a Thopen efetivou pouco mais de 30 MW, cerca de um quarto da potência prevista, e não conseguiu assumir o restante por não obter as garantias necessárias para os financiamentos.

A transação com a Energisa foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 31 de agosto e prevê a aquisição de 100% das sociedades que controlam as UFVs Água Boa, Feliz Natal, Vera, Naviraí e Nova Mutum. Quatro dos ativos estão em Mato Grosso, com 17,5 MW, e um em Mato Grosso do Sul, com 2,5 MW. O valor e a forma de pagamento foram mantidos sob acesso restrito no processo.

Em nota à MegaWhat, a Energisa afirmou que a aquisição não representa uma estratégia de expansão por meio de compras, e sim um negócio “pontual e oportunístico”. A companhia afirmou ainda que a (re)energisa, seu braço de serviços aos consumidores, é a terceira maior empresa de geração distribuída do país, atua em nove estados e registrou crescimento de 147% no Ebitda entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, além de estabilidade do churn e redução da inadimplência.

No documento enviado ao Cade, as partes dizem que, para a Energisa, a aquisição representa uma oportunidade de ampliar os negócios em geração distribuída.

Em outubro de 2025, Matrix e Thopen anunciaram uma transação de R$ 556 milhões envolvendo um portfólio solar de 120 MWp. À época, o negócio foi divulgado como a compra de 45 usinas operacionais distribuídas por Paraná, São Paulo, Pernambuco, Mato Grosso, Goiás, Alagoas e Mato Grosso do Sul.

A maior parte da transferência, no entanto, não chegou a ser concluída. À MegaWhat, Wilson afirmou que a Thopen conseguiu efetivar pouco mais de 30 MW, aproximadamente um quarto da potência do portfólio. Segundo ele, a obtenção das garantias para assumir os financiamentos era uma condição para a continuidade do negócio, e o contrato de compra e venda, o SPA, acabou encerrado em relação aos demais ativos.

“Um quarto ela conseguiu honrar, o restante não. O SPA foi desfeito e a Matrix retomou esse processo de venda”, disse o executivo.

Segundo o executivo, a companhia recebeu 13 acordos de confidencialidade, os NDAs, de interessados nos ativos. Além dos cinco parques negociados com a Energisa, a Matrix ainda tem usinas no Paraná, em São Paulo e em Goiás em tratativas com outras contrapartes.

“Os demais estão em curso. Mas a decisão da companhia é de vender todos os parques. Ela venderá todos os parques”, afirmou.

Mudança de modelo na GD

A venda dos ativos próprios não significa uma saída da Matrix da MMGD. A estratégia da companhia é manter a atuação no segmento por meio de uma plataforma baseada no modelo de mudança de titularidade, utilizando usinas arrendadas. Segundo Ferreira Jr., a plataforma tem atualmente cerca de 21 mil clientes.

“Eu arrendo num preço que faça sentido e muda a titularidade. Esse aqui é o modelo de negócio que a gente está seguindo”, disse.

Ao falar sobre a GD por assinatura, o executivo apontou como dificuldades a elevada rotatividade de consumidores, a inadimplência, os descontos necessários para atrair clientes e a dificuldade de gestão do rateio dos créditos junto às distribuidoras.

“Esse é o desafio desse negócio, porque o churn é alto”, afirmou.

A Matrix segue em processo de reestruturação, mas Ferreira Jr. afirmou que a decisão de vender os parques de geração distribuída foi tomada ainda no ano passado e não decorre desse movimento. Já na comercialização de energia, o executivo disse que a companhia está equalizando a exposição a riscos em seu portfólio.

Situação da Thopen

A dificuldade para concluir a compra dos ativos da Matrix antecedeu a recuperação judicial da Thopen. O Grupo Pontal-Thopen pediu recuperação em 7 de agosto, com passivo total informado de R$ 4,56 bilhões, após obter em julho uma tutela cautelar para negociar com credores.

Em 19 de agosto, a Justiça do Rio de Janeiro deferiu o processamento da recuperação judicial. A decisão manteve a suspensão das ações e execuções sujeitas ao processo, mas ressalvou os créditos extraconcursais, que ficam fora dos efeitos da recuperação. A juíza também rejeitou um pedido mais amplo da companhia para impedir credores de executar garantias e consolidar a propriedade de ativos.

O processo entrou agora na etapa de verificação dos créditos. Um edital expedido em 31 de agosto abriu prazo de 15 dias para que os credores apresentem habilitações ou divergências à relação de créditos informada pelas empresas. O grupo também deverá apresentar seu plano de recuperação judicial, que depois poderá ser contestado pelos credores.

A decisão também excluiu a sociedade de propósito específico (SPE) Thopen Solar 39 da recuperação judicial após reconhecer que as ações da sociedade haviam sido transferidas ao BTG Pactual Energy Opportunities por meio da execução de garantia fiduciária.

Em paralelo, o Cade aprovou em 1º de setembro a consolidação, pelo BTG Pactual, de 100% de outras três sociedades solares da Thopen. A transferência decorre da execução de garantias vinculadas a cartas de fiança emitidas pelo banco e envolve ativos localizados em Linhares, no Espírito Santo, e Teresina, no Piauí.



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