Durante reunião realizada segunda-feira dia 02 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, integrantes do Fórum Pró-Ferrovia confirmaram a manutenção do local previamente definido para o terminal da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio. Com isso, foi afastada a possibilidade de alteração no traçado do ramal que segue em direção à capital.
O entendimento consolidado mantém o terminal no trevo de Santo Antônio do Leverger, a cerca de 33 quilômetros de Cuiabá. A definição encerra preocupações surgidas após discussões sobre mudanças nos limites territoriais entre os dois municípios.
Segundo a avaliação apresentada no encontro, qualquer modificação no ponto escolhido exigiria a abertura de um novo processo de licenciamento, além de revisões técnicas e jurídicas, o que poderia atrasar o cronograma e gerar insegurança ao empreendimento. O projeto já conta com contrato firmado, licença prévia e estudos elaborados pela concessionária responsável.
Ainda conforme defendido no fórum, o planejamento da infraestrutura foi estruturado considerando a localização atual do terminal. Por isso, eventuais mudanças poderiam trazer impactos logísticos e administrativos, além de exigir capacidade financeira do município que viesse a assumir a área.
Licenciamento do ramal avança
A ferrovia estadual é considerada hoje o maior projeto ferroviário em execução em Mato Grosso. Com aproximadamente 730 quilômetros de extensão, o traçado principal conecta Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por cidades como Dom Aquino e Nova Mutum, formando um dos principais corredores de escoamento de grãos do estado.
O trecho já integrado à malha nacional permite o transporte de cargas até o Porto de Santos (SP), movimentando mais de 25 milhões de toneladas por ano.
No caso do ramal que seguirá até Cuiabá, o percurso a partir de Juscimeira foi dividido em dois lotes. A documentação referente ao primeiro trecho foi protocolada junto ao órgão ambiental estadual, e a expectativa apresentada é de que a licença seja emitida em cerca de 30 dias. O segundo lote deverá ter o projeto concluído até o fim do ano.
A previsão é que todo o processo de licenciamento até a capital seja finalizado ao longo de 2027, restando posteriormente o anúncio oficial do início das obras.
Potencial de desenvolvimento
Durante as discussões, foi destacado que a implantação do terminal ferroviário tende a provocar forte impacto econômico na região da capital, com reflexos também para municípios da Baixada Cuiabana, como Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger, Barão de Melgaço e Poconé.
A avaliação apresentada compara o potencial com o que já ocorre em Rondonópolis, onde a atividade ferroviária representa parcela significativa da economia local e gera milhares de empregos diretos.
A expectativa é que, com a redução do custo do frete e a melhoria logística, o novo terminal contribua para atrair investimentos industriais e ampliar a competitividade regional, abrindo um novo ciclo de desenvolvimento econômico no estado.

