A Usina Central Mata Sul, de Pernambuco, avalia a pirólise do bagaço de cana-de-açúcar como uma nova rota de aproveitamento da biomassa. A tecnologia pode gerar bio-óleo, gases combustíveis e biochar, além de permitir a produção de combustíveis e produtos químicos de base renovável.
A iniciativa acompanha a transformação das usinas sucroenergéticas em biorrefinarias, com diferentes aplicações para os componentes da cana. Atualmente, o bagaço é utilizado principalmente na geração de vapor e bioeletricidade.
Segundo Carlos Alberto Almeida, CEO da Usina Central Mata Sul, uma unidade que processa entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas de cana por safra pode produzir de 250 a 300 kg de bagaço por tonelada de cana moída. “Isso representa um volume anual superior a meio milhão de toneladas de biomassa em muitas unidades”, afirma.
Para Almeida, o aumento da eficiência das caldeiras pode gerar excedentes de bagaço e abrir espaço para novas aplicações. “A remuneração da energia elétrica exportada nem sempre reflete o valor energético contido na biomassa”, explica.
Pirólise do bagaço: o que é e como funciona
A pirólise de biomassa consiste na decomposição térmica do material na ausência de oxigênio, normalmente entre 450°C e 700°C. O processo produz três componentes principais: bio-óleo, gases combustíveis e biochar.
Uma das possibilidades é utilizar o bio-óleo como matéria-prima para diesel renovável. De acordo com Almeida, o produto pode passar por processos de hidrotratamento e hidrocraqueamento, semelhantes aos empregados em refinarias de petróleo.
“O principal potencial econômico está no aproveitamento do bio-óleo, obtido a partir dos compostos presentes no bagaço da cana, para a produção de diesel renovável”, afirma.
Os gases gerados no processo também podem ser aproveitados para atender parte da demanda térmica da própria planta.
Novas aplicações para o bagaço da cana
A integração da pirólise pode ampliar o portfólio da usina com diesel renovável, metanol verde, biochar e créditos de remoção de carbono.
A estratégia coloca o bagaço como matéria-prima para além da cogeração. No conceito de biorrefinaria, o açúcar, o etanol, a bioeletricidade e os produtos derivados da biomassa passam a fazer parte de um mesmo sistema industrial.
Reconhecimento no MasterCana Norte-Nordeste

No MasterCana Norte-Nordeste 2026, a usina foi contemplada com o troféu de Usina do Ano, na categoria ESTRATÉGIA EMPRESARIAL – Tecnologia & Inovação. A premiação foi entregue ao CEO da empresa, Carlos Almeida.










