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Confiança nacional recua ao menor nível em meses, mas vagas seguem em alta no estado


Enquanto o cenário nacional acende um sinal de alerta para o varejo — com a queda do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) a 101,3 pontos em agosto, o menor patamar desde novembro do ano passado —, a realidade econômica de Mato Grosso caminha em uma rota de forte resiliência e contraste.

Divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a retração geral de 0,6% no índice foi puxada sobretudo pela avaliação fria das condições atuais e pela retração na percepção dos empresários sobre o próprio negócio. No entanto, contrariando o pessimismo macroeconômico que afeta grandes centros do país, o comércio mato-grossense demonstra fôlego próprio, impulsionado pelo dinamismo do agronegócio e pela expansão de polos regionais como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Lucas do Rio Verde.

Contraste entre a cautela e a expansão de vagas

O dado mais revelador da pesquisa da CNC mostra que, apesar da queda na confiança geral e da ligeira baixa de 0,3% na intenção de investimentos, a intenção de contratação de novos funcionários cresceu 0,6% no mês e acumulou alta de 1,5% em relação a agosto de 2025.

No interior de Mato Grosso, essa ânsia por contratações reflete o ritmo acelerado do setor terciário, que precisa acompanhar o poder de compra gerado pelas safras recordes, pelo fluxo logístico robusto e pela chegada contínua de novas indústrias e redes varejistas. Enquanto o empresário nacional segura os investimentos diante de juros e custos operacionais elevados, o setor comercial mato-grossense mantém as portas abertas e amplia equipes para dar conta da demanda interna aquecida.

Segmentos sob pressão versus o motor do consumo mato-grossense

A retração de agosto no cenário nacional atingiu de forma distinta os setores: supermercados, farmácias e lojas de cosméticos recuaram 0,8%; os bens duráveis caíram 0,5%; e o segmento de vestuário e calçados registrou baixa de 0,2%.

Em Mato Grosso, contudo, o comportamento do consumidor apresenta particularidades. Impulsionado pela força do emprego formal gerado pelo agronegócio, construção civil e serviços logísticos, o setor de supermercados e atacarejos do estado continua operando em patamares elevados de giro de estoque, amortecendo os impactos negativos que costumam frear o varejo em estados menos diversificados.

A expectativa do setor produtivo local é de que, superada a fase de cautela e com a aproximação dos ciclos de escoamento e das festividades de final de ano, o comércio mato-grossense lidere a retomada do otimismo regional, provando que a economia do estado responde muito mais à sua própria dinâmica interna do que às oscilações do termômetro econômico nacional.

Leia também: O CenárioMT publicou anteriormente as orientações e os impactos do clima e do calor extremo na economia e na rotina do estado. Confira os detalhes na matéria: Calor Extremo de Mais de 40°C e El Niño: O Desafio Climático para o Início da Safra 2026/27 no Interior de Mato Grosso.

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