Um novo estudo indica que pessoas que consomem uma ou mais porções por dia de bebidas açucaradas apresentam um risco 2,45 vezes maior de desenvolver a câncer gástrico, em comparação com aquelas que nunca consomem.
A pesquisa define como “bebidas adoçadas com açúcar” (SSB) refrigerantes comuns, ponches, limonadas e bebidas esportivas. Um dos ingredientes principais delas é o xarope de milho que é rico em frutose – o “vilão” do estudo.
Os resultados apontaram que quanto maior era o consumo total de frutose pelos participantes, maior era a incidência – surgimento de novos casos – de câncer gástrico.
O levantamento foi realizado nos Estados Unidos, com base nos dados do Estudo de Saúde das Enfermeira e do Estudo de Acompanhamento dos Profissionais de Saúde.
Pesquisadores da Universidade de Harvard, da Universidade Católica da Coreia, da Universidade de Boston, do Hospital Geral de Massachusetts e do Hospital das Mulheres e Brigham analisaram dados de mais de 100 mil participantes durante mais de 3 décadas.
O alerta sobre o consumo de bebidas açucaradas não é recente. O cirurgião cardiovascular americano Jeremy London chegou a classificar os refrigerantes como “líquido da morte” em uma publicação nas redes sociais.
Posteriormente, em entrevista ao programa “TODAY”, London explicou que a expressão tinha também o objetivo de chamar atenção para o problema e reforçou a preocupação com a grande quantidade de calorias e açúcar presente nos refrigerantes.
O estudo mostra que a frutose, principal adoçante nessas bebidas, apresentou uma associação positiva com a incidência da doença.
Embora a explicação do mecanismo biológico exato de como isso ocorre ainda esteja sendo investigado, os pesquisadores apontam teorias de como a frutose pode aumentar o risco de câncer gástrico.
Segundo os médicos, o alto consumo de frutose é associado ao aumento da gordura corporal e a alterações no metabolismo da insulina, o que pode favorecer o desenvolvimento de tumores.
A ingestão exagerada de açúcar também pode causar processos inflamatórios crônicos no organismo e causar danos ao material genético das células, fatores conhecidos por contribuir para o surgimento do câncer.
De acordo com o levantamento, a ingestão de bebidas açucaradas pode causar um desequilíbrio nos hormônios esteroides, o que influencia o crescimento de tumores.
A pesquisa ainda aponta que a frutose pode alterar o equilíbrio da microbiota intestinal (disbiose), o que também tem sido associado a riscos aumentados de câncer.
Bebidas que não aumentam o risco de câncer
Apesar do estudo fazer um alerta para bebidas adoçadas com açúcar (SSB), ele aponta que bebidas com adoçantes artificiais (ASB) não apresentam esse mesmo risco.
Os resultados mostram que o consumo de bebidas adoçadas artificialmente como refrigerantes de baixa caloria (diet/light) não foi associado com o aumento de risco de câncer gástrico.
Os sucos 100% naturais, feitos de frutas puras sem adição de açúcar, também não demonstram risco à saúde como fatores que influenciam o câncer gástrico.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas










