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Fatos de Mato Grosso

Otaviano Pivetta

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que já enfrentou depressão e que se cuida, ao formular a pergunta sobre saúde mental no último bloco do primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, na manhã desta terça-feira (18). O tema havia sido sorteado, e coube a ele questionar o senador Wellington Fagundes (PL). Antes de perguntar, Pivetta disse que poucos brasileiros não convivem com alguém em depressão dentro da própria família e que o problema atinge boa parte da sociedade. A declaração voltou ao ar minutos depois, quando o senador a devolveu como argumento, lembrando que quem havia dito ali sofrer de depressão era o candidato à reeleição.

A proposta apresentada por Pivetta na mesma fala se concentrou na atenção básica. Ele afirmou que o Estado repassa recursos fundo a fundo aos municípios como nunca antes e disse que pretende ampliar esse repasse para que as famílias sejam acompanhadas individualmente, com prontuário e tratamento precoce, antes que o quadro se agrave. Citou como referência a gestão que fez em Lucas do Rio Verde e o modelo adotado em Nova Mutum. Em sua réplica, acrescentou que os investimentos em saúde e educação cresceram 30% neste ano e voltou a falar do programa de redução de filas.

Fagundes não respondeu ao tema. Usou os dois minutos e meio para relatar sua atuação em municípios do Estado, mencionar a inauguração da sede da federação de associações de moradores e defender o pagamento da revisão anual dos servidores, além de criticar a qualidade das rodovias estaduais. Pivetta apontou a omissão em seguida, dizendo que o adversário não havia falado sobre saúde mental e que provavelmente não teria proposta para a área.

Na resposta seguinte, o senador sustentou que o adoecimento mental também tem origem no desequilíbrio financeiro das famílias, e ligou o tema à remuneração do funcionalismo, argumentando que um policial mal pago não consegue entregar segurança. Defendeu que a política pública não pode se limitar ao momento da crise e prometeu concentrar esforços na prevenção. Em rodada anterior, sobre alunos com deficiência, Fagundes já havia prometido implantar centros de atenção psicossocial de funcionamento contínuo, com portas abertas 24 horas, e reestruturar o complexo Adauto Botelho, em Cuiabá. Pivetta, naquele mesmo bloco, afirmou que o hospital foi reformado pela atual gestão e reconheceu que a estrutura ainda não é suficiente.

A rede estadual de saúde mental reúne hoje 53 centros de atenção psicossocial, segundo dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde em reunião da Câmara Setorial Temática de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa, em maio. Na mesma reunião, técnicos da pasta reconheceram que a saúde mental ainda não está incluída na regulação estadual e que a concentração do fluxo no Adauto Botelho sobrecarrega o sistema. A reforma da Unidade I do complexo estava prevista para ser concluída em julho, com capacidade para 86 leitos.

A capital segue sem um centro de atenção psicossocial de funcionamento ininterrupto. Em março, o promotor de Justiça Milton Mattos afirmou, durante reunião da mesma câmara temática, que a obra do CAPS III de Cuiabá se arrasta desde novembro de 2023, apesar de já ter contado com cerca de R$ 6 milhões, e que a cidade teria capacidade para abrigar até quatro unidades do tipo. Ele citou ainda a superlotação do Adauto Botelho e a dificuldade de conseguir vagas em residências terapêuticas, situação que mantém pacientes internados por falta de alternativa de acolhimento.

A médica Natasha Slhessarenko (PSD) não participou dessa rodada, porque a dinâmica do debate determinava quem perguntava e quem respondia a cada tema sorteado. Em outros blocos, ela concentrou as críticas na fila por consultas com especialistas, defendeu concurso público para profissionais da saúde e propôs um aplicativo de telessaúde para ampliar o acesso no interior.

O debate foi promovido pela Centro América FM e pelo portal Primeira Página, começou às 7h30 no auditório da TV Centro América, em Cuiabá, e reuniu os três candidatos cujos partidos atendem ao critério de representação mínima no Congresso Nacional. O primeiro turno da eleição será em 4 de outubro.



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