A corrida eleitoral à Presidência da República em 2026 promete ser marcada mais pela tentativa de destruição dos adversários do que pela apresentação de propostas concretas de governo. É o que avalia Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, em entrevista ao WW.
Para Aragão, programas de governo no Brasil são, na prática, peças de pouca relevância real. Ele ilustrou sua avaliação com um episódio histórico envolvendo Tancredo Neves, quando o PMDB e o Partido Popular se fundiram para disputar as eleições diretas para governador em 1982.
“O Tancredo recebeu o livro, deu uma folheada”, relembrou Aragão, descrevendo como o programa elaborado pela esquerda foi apresentado ao então candidato no auditório Nereu Ramos. A conclusão foi direta: “programa é para inglês ver no Brasil”.
Eleição de rejeição
Segundo Aragão, a eleição de 2026 tende a ser definida pela lógica da rejeição, não da construção. “Essa eleição tende a ser uma eleição de destruição do adversário, não de construção do futuro”, afirmou.
“E esse é o grande problema no Brasil.” Para ele, o interesse real dos candidatos não está em qualificar o debate, mas em vencer — e, para isso, o caminho escolhido é atacar o oponente.
O especialista também apontou sinais concretos do que considera a pobreza do momento político brasileiro. Ele citou o fato de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já anunciaram que não participarão do debate da Bandeirantes como exemplo dessa tendência de fuga do confronto direto de ideias.
“Eu não vejo o debate se qualificando”, concluiu Aragão. Para ele, a campanha presidencial de 2026 seguirá um padrão de confronto pessoal e esvaziamento programático, reflexo de uma disputa em que a rejeição ao adversário é o principal instrumento eleitoral.










