Wesley Moreno/Power Mix
Nova Mutum/MT
Mato Grosso ocupa metade das posições entre os 20 maiores municípios produtores de soja do Brasil, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. Dez cidades do estado aparecem no grupo, lideradas por Sorriso, que produziu mais de 2 milhões de toneladas e ficou a apenas 8.424 toneladas do primeiro colocado nacional.
O levantamento evidencia que a força da soja mato-grossense não está concentrada em um único polo. Nova Ubiratã, Querência, São Félix do Araguaia, Campo Novo do Parecis, Nova Mutum, Sapezal, Paranatinga, Diamantino e Brasnorte também integram o grupo destacado no material.
Juntas, essas dez cidades alcançam aproximadamente 12,49 milhões de toneladas de soja, volume que ajuda a dimensionar não apenas a produção rural, mas toda a estrutura econômica necessária para escoar e armazenar os grãos.
Sorriso encosta na liderança nacional
Entre os municípios mato-grossenses, Sorriso ocupa a posição mais alta. A cidade aparece com 2.084.520 toneladas, praticamente empatada com São Desidério, na Bahia, que lidera com 2.092.944 toneladas.
A distância entre os dois municípios é de somente 8.424 toneladas, diferença pequena diante de produções que ultrapassam a marca de 2 milhões de toneladas.
A relevância de Sorriso, porém, vai além da soja. Conforme os dados apresentados no levantamento, o município produziu cerca de 6,1 milhões de toneladas de grãos em 2024. Nova Ubiratã, outro município mato-grossense em destaque, chegou a aproximadamente 4,1 milhões de toneladas.
Sorriso também se destaca pela infraestrutura montada para receber essa produção. No primeiro semestre de 2025, o município possuía 5,6 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazenagem, a maior do Brasil. Sete das dez cidades brasileiras com maior capacidade de armazenamento estavam em Mato Grosso.
Nova Mutum entre os gigantes
Nova Mutum também ocupa posição de destaque nacional. O município aparece com 1,14 milhão de toneladas de soja, próximo de Campo Novo do Parecis, com 1.141.652 toneladas, e Sapezal, com 1.123.911 toneladas.
A presença dessas cidades evidencia uma característica importante do agronegócio mato-grossense: a produção em grande escala está distribuída por diferentes regiões.
Querência registra 1,23 milhão de toneladas, enquanto São Félix do Araguaia alcança 1.164.706 toneladas. Nova Ubiratã aparece ainda mais acima, com 1.500.600 toneladas.
Dos municípios mato-grossenses destacados nesse grupo, nove ultrapassam a barreira de 1 milhão de toneladas, enquanto Brasnorte se aproxima dela.
Produção movimenta cadeia muito além das fazendas
Os números também ajudam a dimensionar o impacto econômico dessas cidades. Uma produção de milhões de toneladas exige uma extensa estrutura de transporte, armazenagem e prestação de serviços.
Caminhões, rodovias, silos, armazéns, cooperativas, tradings, oficinas, revendas de máquinas e insumos, postos de combustíveis, tecnologia e mão de obra especializada fazem parte da cadeia movimentada pelos grãos.
Isso significa que o peso econômico dos grandes municípios produtores não se limita à receita obtida dentro das propriedades rurais. A escala das lavouras impulsiona atividades urbanas e investimentos necessários para sustentar a produção.
Mato Grosso domina a distribuição
O peso mato-grossense fica ainda mais evidente quando se observa a distribuição territorial do ranking apresentado: Mato Grosso possui dez representantes, enquanto Bahia aparece com quatro e Goiás com três. Piauí e Mato Grosso do Sul têm um município cada.
Os dados gerais da PAM mostram ainda a dimensão nacional da cultura. Em 2024, o Brasil produziu 144,5 milhões de toneladas de soja em 46,2 milhões de hectares. A oleaginosa respondeu por 33,2% do valor total da produção agrícola pesquisada pelo IBGE.
Embora São Desidério ocupe a primeira colocação municipal na soja, a concentração de cidades mato-grossenses entre as maiores produtoras revela um fenômeno mais amplo: Mato Grosso não depende de um único município para permanecer no topo do agronegócio brasileiro.
Sorriso, Nova Ubiratã, Querência, São Félix do Araguaia, Campo Novo do Parecis, Nova Mutum e outros polos formam uma extensa faixa de produção em escala milionária. Os números mostram que, no mapa brasileiro da soja, Mato Grosso se destaca principalmente pela quantidade de municípios capazes de produzir em patamar comparável aos maiores polos agrícolas do país.
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